Rodrigo Zeidan analisa a nova realidade dos EUA no cenário global e alerta sobre os riscos da visão simplista em relação à China. Descubra suas reflexões!
Em entrevista ao jornal WW, da CNN Brasil, o economista Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shanghai e da Fundação Dom Cabral, abordou a transformação do papel dos Estados Unidos no contexto internacional. Segundo ele, os “EUA não são mais o paradigma da estabilidade que tentaram ser um dia”.
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Zeidan critica a visão simplista que tem sido adotada, ressaltando que isso representa um risco para o futuro das relações internacionais. Ele afirmou que a Europa percebeu que a ideia de considerar a China como a principal inimiga, imposta pelos EUA nos últimos anos, não faz sentido.
O economista alertou que, ao seguir essa narrativa, o Ocidente pode estar comprometendo suas próprias oportunidades, especialmente em relação a um dos maiores mercados do mundo. Zeidan enfatizou que a forma como o Ocidente trata a China influencia diretamente a resposta chinesa.
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“Se o Ocidente tratar a China como inimigo, a China vai responder como inimigo; se tratar como adversário, vai responder como adversário; se tratar como parceiro, vai responder como parceiro”, explicou.
Zeidan também levantou questões sobre as empresas ocidentais e suas interações com a China. Durante um evento no Instituto de Pesquisa do Ministério da Defesa, em Roma, ele recordou um momento em que um aluno de doutorado perguntou sobre a rapidez com que as empresas italianas deveriam se retirar da China.
“Eu parei, olhei para o aluno e falei: ‘eu pensei que as empresas italianas gostassem de dinheiro. Sair do segundo maior mercado do mundo por causa da ideia americana de que a China é o novo inimigo pode ser perigoso para o país’”, relembrou.
Rodrigo Zeidan destacou que essa abordagem unilateral em relação à China é não apenas equivocada, mas também arriscada. Ele observou que a postura dos Estados Unidos nos últimos anos tem demonstrado uma crescente instabilidade, tornando essencial a reavaliação das relações internacionais, especialmente com uma China cada vez mais central no comércio e na política global.
“Os Estados Unidos não são mais o modelo de estabilidade que foram no passado e, agora, estão reativando laços com parceiros que não deveriam ter cortado, simplesmente por acreditar nessa narrativa simplista”, concluiu Zeidan.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.