Justiça Determina Medidas para Evitar Repetição de Problemas no Rock in Rio
A Justiça do Trabalho emitiu uma determinação importante, na terça-feira (10), da 10ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, em resposta a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a organizadora do Rock in Rio, Rock World.
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A decisão visa impedir a repetição de situações preocupantes que surgiram durante a montagem do festival em 2024.
A liminar estabelece que a empresa deve garantir condições de trabalho dignas para os trabalhadores terceirizados, incluindo o registro formal de todos os funcionários antes do credenciamento da prestadora de serviços. Além disso, a Rock World deverá implementar um controle rigoroso de jornada, assegurando intervalos mínimos entre os turnos, fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) e infraestrutura adequada para alimentação, hidratação e higiene.
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Problemas Identificados na Montagem do Festival
A ação judicial foi motivada por uma fiscalização realizada em 2024, conduzida por auditores do Ministério do Trabalho e Emprego e procuradores do Ministério Público do Trabalho. Durante a montagem do festival, foram identificadas condições de trabalho graves, com relatos de jornadas exaustivas, chegando a 21 horas seguidas, e de acomodações precárias, como o uso de papelões e sacos plásticos como camas.
Muitos trabalhadores não tinham acesso a instalações adequadas para banho, descanso e alimentação.
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Responsabilidade e Resposta da Rock World
A Rock World declarou-se “surpresa e indignada” com a decisão judicial. A empresa argumenta que as determinações já fazem parte das práticas adotadas e demonstradas anteriormente. A organizadora do festival enfatiza que a responsabilidade por eventuais irregularidades deve ser atribuída às empresas terceirizadas, como a Força Bruta (FBC Backstage Eventos), que era responsável pelo recrutamento dos trabalhadores resgatados.
Histórico de Problemas e Compromisso da Rock World
O episódio não é o primeiro caso de trabalho escravo envolvendo o Rock in Rio. Em 2013, o Ministério do Trabalho e Emprego identificou problemas semelhantes, e em 2015, uma nova operação revelou condições análogas à escravidão para ambulantes.
Apesar desses casos anteriores, a Rock World não foi responsabilizada. A empresa afirma que mantém um diálogo institucional com o MPT e continuará colaborando com as autoridades, além de defender nas instâncias cabíveis que a responsabilidade seja corretamente atribuída.
A Rock World destaca que, ao longo de sua trajetória, o festival gerou centenas de milhares de empregos diretos e indiretos, impactando positivamente a economia da cidade do Rio de Janeiro. Na edição de 2024, foram gerados mais de 32 mil postos de trabalho, mobilizando centenas de fornecedores e profissionais de diversas áreas.
A empresa reforça seu compromisso com o respeito aos direitos dos trabalhadores e a realização de eventos que gerem impacto positivo para a sociedade.
