Robôs ajudam na restauração de afrescos romanos em Pompeia
Os antigos afrescos romanos de Pompeia, que ficaram estilhaçados e enterrados por séculos, estão recebendo uma nova chance graças a um sistema robótico inovador. Este projeto visa auxiliar arqueólogos em uma das tarefas mais delicadas: remontar artefatos fragmentados.
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A tecnologia, desenvolvida no âmbito do projeto RePAIR, financiado pela UE, combina reconhecimento avançado de imagens, soluções de quebra-cabeças guiadas por IA e braços robóticos de alta precisão.
Iniciado em 2021 e coordenado pela Universidade Ca’ Foscari de Veneza, o projeto foi apresentado em Pompeia em 27 de novembro, reunindo equipes de pesquisa internacionais que utilizaram o sítio arqueológico como campo de testes. O robô possui braços gêmeos com mãos flexíveis em dois tamanhos e sensores de visão, permitindo identificar, agarrar e montar fragmentos sem danificar suas superfícies delicadas.
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Desafios da restauração
Gabriel Zuchtriegel, diretor do sítio, explicou que o projeto surgiu da necessidade de recompor fragmentos de afrescos destruídos durante a Segunda Guerra Mundial. A cidade de Pompeia, localizada perto de Nápoles, foi submersa após a erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C.
Os pesquisadores focaram em alguns dos afrescos mais icônicos, criando réplicas artificiais durante os testes para proteger as peças originais.
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Enquanto as equipes de robótica trabalhavam no design do sistema, especialistas em inteligência artificial desenvolveram algoritmos para reconstruir os afrescos, combinando cores e padrões que podem não ser visíveis a olho nu. Segundo Marcello Pelillo, professor da Universidade de Veneza, a tarefa é comparável a resolver um quebra-cabeça gigante, com o desafio adicional de lidar com peças faltantes e a ausência de uma imagem de referência.
O futuro da arqueologia
Os pesquisadores acreditam que essa tecnologia pode revolucionar as práticas de restauração em todo o mundo. No entanto, Zuchtriegel ressalta que essa transformação não significará o fim da arqueologia como profissão. Em vez disso, o trabalho dos arqueólogos “mudará dramaticamente”, permitindo um retorno à interpretação das obras de arte e da vida cotidiana.
