Roberto Sánchez denuncia fraude nas eleições peruanas do exterior

Denúncia de fraude nas eleições peruanas do exterior causa alerta sobre a legitimidade dos resultados e exige intervenção legal urgente

O congresista Roberto Sánchez é considerado herdeiro de Pedro Castillo

Roberto Sánchez, candidato da coligação Juntos por el Perú, denunciou na terça-feira (23) a ocorrência de graves perturbações no processo eleitoral do segundo turno de votações realizadas no exterior. Em sua fala à imprensa, Sánchez alegou que o cenário eleitoral está sendo progressivamente transformado em um caso de fraude em curso, exigindo intervenção legal imediata.

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O líder político apontou que mudanças regulatórias recentes minaram a segurança e a transparência do pleito, impactando diretamente a contagem dos votos e a legitimidade dos resultados.

Questionamento Legal sobre a Transparência do Voto no Exterior

A principal fonte de preocupação levantada por Sánchez reside em uma resolução emitida pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), a pedido do Ministério das Relações Exteriores. Este documento, datado de 29 de maio, alterou significativamente a regulamentação eleitoral vigente.

Segundo o candidato, a nova norma eliminou a obrigatoriedade de digitalizar e escanear os registros de votação logo após a conclusão do processo, prática que havia sido rigorosamente seguida durante o primeiro turno. Sánchez argumentou que essa modificação representou uma violação direta da segurança jurídica e da inviolabilidade das regras eleitorais.

Além da questão digital, o líder também destacou que a alteração desregulamentou a transferência obrigatória de materiais por meio da mala diplomática. Esse mecanismo, segundo ele, teria aberto brechas para manipulações na contagem dos votos, favorecendo resultados específicos.

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Diante desses fatos, Roberto Sánchez formalizou um recurso de anulação de ofício junto à Junta Nacional Eleitoral (JNE), buscando impedir a contagem de votos considerados irregulares. O candidato alertou que, caso o órgão eleitoral não resolva o impasse em estrita conformidade com a lei e os princípios de transparência, o processo fraudulento será considerado consumado.

Repercussões Políticas e Chamado à Resistência Democrática

Sánchez estabeleceu um ultimato político claro: ele não reconhecerá nenhum eventual governo liderado por Fujimori caso as irregularidades eleitorais não sejam corrigidas. Essa declaração eleva o nível de tensão política e legal no país.

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Neste contexto, o líder anunciou que recorrerá a mecanismos constitucionais e ao sistema supranacional interamericano de direitos humanos. O objetivo é empreender uma luta de resistência, descrita como patriótica, popular e democrática, mobilizando o movimento social.

Em um tom mais amplo, o candidato também denunciou a existência de perseguição política e judicial direcionada a diversos líderes sociais e defensores dos direitos democráticos em diferentes regiões do Peru. Ele afirmou que esses ativistas estão sendo processados apenas por exercerem seu direito de manifestação.

Para catalisar essa resistência, Roberto Sánchez convocou todas as forças democráticas para um dia nacional de luta. A mobilização está programada para começar neste sábado, 27 de junho, com uma grande concentração em Lima, a capital peruana.

Posteriormente, o protesto se estenderá por diversas regiões do país.

Os objetivos centrais desta manifestação são restaurar a democracia diante do que é percebido como uma tomada das instituições, protestar contra a perseguição judicial e exigir a imediata libertação do presidente Pedro Castillo Terrones. Nos dias que antecederam o discurso, dezenas de cidadãos de diversas regiões do Peru já se reuniram em apoio à coalizão Juntos por el Perú e a seu candidato.

A situação desenha um cenário de intensa disputa legal e política, onde o sistema eleitoral e os direitos civis estão sendo colocados sob escrutínio público e judicial.