Roberto Cordovani brilha em São Paulo com espetáculo sobre Greta Garbo; descubra mais!

Roberto Cordovani: A Versatilidade de um Ator
Roberto Cordovani é um verdadeiro camaleão. Após deixar sua marca na teledramaturgia brasileira como o vilão Sebastião Quirino em “Novo Mundo” (TV Globo), o ator retorna aos palcos de São Paulo com sua obra-prima. De 9 de maio a 21 de junho, o Teatro Paiol Cultural apresenta “Olhares de Perfil (O Mito Greta Garbo)”, um espetáculo que já passou por nove países e rendeu a Cordovani o título de melhor ator em festivais em Londres, Madrid e Edimburgo.
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O Misticismo de Garbo: Entre o Silêncio e a Materialização
Interpretar uma das maiores lendas de Hollywood desde 1987 vai além de uma simples repetição; é um processo de redescoberta. Para Cordovani, a personagem é uma entidade que se adapta ao público. “A Garbo se renova não apenas a cada temporada, mas a cada apresentação.
O teatro é orgânico”, afirma o ator. Ele destaca que, apesar de haver um mapeamento sólido da personagem, o cotidiano traz novas nuances: “Existem momentos de maior densidade e intensidade e outros com menos; isso varia de dia para dia. A emoção sempre está presente, e o comprometimento é essencial, pois, ao interpretar Garbo, deixo de ser Roberto e me distancio de mim mesmo.”
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Essa desconexão é o que define sua essência como ator. Ao contrário de colegas que buscam semelhanças com seus papéis, Roberto mergulha no oposto. “Talvez o ‘silenciar’ ainda me traga novas surpresas, pois no espetáculo há muito silêncio da própria personagem, há reflexões, e nesses momentos, as imagens que surgem internamente são sempre muito diferentes.”
A Trama: Identidade e o Desejo de Isolamento
A peça, coescrita por Cordovani e Alejandra Guibert, explora a ambiguidade. A história gira em torno de um ator que interpreta Garbo em uma zona Off-Broadway e é investigado por um fotógrafo que acredita estar diante da própria estrela, desaparecida em 1939.
O texto aborda o cansaço de Greta com os rótulos de “mulher fatal” impostos pela MGM. “A Garbo foi rotulada como uma ‘mulher fatal’ pelos produtores e estava cansada desse estigma. Ela era uma mulher livre, bissexual, mais lésbica. A possibilidade desse ator se parecer com Garbo provoca uma reflexão sobre a sedução e a problemática das imagens”, analisa Roberto.
Para ele, o espetáculo funciona como um espelho: “O público sai sem saber se é ela ou um ator que se faz passar por ela. Talvez, ao assumir outra personalidade, ela pudesse ser livre e mais autêntica.”
De Greta ao Carrasco Sebastião Quirino
Enquanto “Olhares de Perfil” traz romantismo e mistério, em “Novo Mundo”, o público conheceu o lado mais sombrio de Cordovani. Interpretar o escravocrata Sebastião Quirino foi um exercício de contraste absoluto. “Quando me chamaram e me trouxeram da Europa como ator convidado, fiquei fascinado com a possibilidade de mudar os registros.
Foi fácil, pois eu não tinha nenhuma referência que me lembrasse Garbo”, recorda.
Além disso, o ator utiliza o personagem como uma ferramenta de crítica social ao Brasil contemporâneo. “Isso me leva a um universo que é daquele personagem desprezível, racista, tão atual, porque o Brasil pouco mudou. O racismo estrutural ainda persiste.
Foi mais esclarecedor falar sobre Sebastião Quirino, pois isso acaba sendo uma crítica a tantos políticos que se assemelham a esse vilão.”
O contraste entre a sensibilidade de Greta e a covardia de Sebastião é o que impulsiona a arte de Cordovani: “Um homem cruel, sem escrúpulos, mentiroso, covarde, intrigante, inseguro; ela é o oposto disso. É sólida, tem presença, não se dobra. É paradoxal como podemos ser tantas coisas em uma só.”
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.
