Ricardo Alban cobra de candidatos plano estratégico até 2050 para indústria brasileira
Ricardo Alban propõe plano estratégico até 2050 para indústria brasileira, buscando previsibilidade econômica e fim da perda de competitividade
O setor industrial brasileiro manifestou, nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, em Brasília, suas exigências por maior previsibilidade econômica e por um planejamento estratégico de longo prazo para o país. Durante o evento “Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), enfatizou que, embora o setor produtivo esteja preparado para participar do debate eleitoral, é imprescindível que o Brasil defina uma trajetória de crescimento com um horizonte que se estenda até, pelo menos, 2050.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Diagnóstico Industrial: Perda de Competitividade e Declínio Histórico
Alban apontou que a trajetória econômica recente tem sido marcada por desafios estruturais profundos que minaram o potencial da indústria. Segundo o líder da CNI, a falta de combinação simultânea de pilares macroeconômicos sólidos, políticas de desenvolvimento produtivo e medidas eficazes para mitigar o chamado “Custo Brasil” resultou em uma perda significativa da participação do setor na economia nacional.
Para ilustrar o recuo, o presidente da CNI apresentou dados alarmantes sobre a evolução da indústria de transformação. O setor, que representava 35,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1985, viu sua participação cair drasticamente para 13,7% em 2025.
Essa retração, segundo ele, é um reflexo direto da perda de competitividade da produção nacional.
Além da queda percentual no PIB, o déficit comercial também foi um ponto de atenção. Alban citou um déficit de US$ 149 bilhões em produtos manufaturados no ano passado, associando esse resultado financeiro à dificuldade em manter a produção brasileira competitiva no cenário global.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Os Três Eixos de Desenvolvimento Exigidos pelo Setor Produtivo
Ao direcionar suas considerações aos pré-candidatos à Presidência, Alban foi categórico ao afirmar que as demandas do setor não se restringem a problemas setoriais isolados. Em vez disso, ele propôs um conjunto de ações estruturantes que devem nortear qualquer projeto de nação.
O foco deve recair em três eixos centrais: a estabilidade macroeconômica é o primeiro pilar; a implementação de uma política industrial de Estado, que transcenda mandatos políticos; e, por fim, a redução urgente dos entraves estruturais que dificultam o investimento e o crescimento.
Leia também
A previsibilidade regulatória foi destacada como condição fundamental para que o capital privado se sinta seguro para investir. Por isso, o presidente da CNI defendeu reformas profundas em áreas como o sistema tributário e a legislação trabalhista.
Ele também enfatizou a necessidade de maior articulação e integração entre o poder público e o setor produtivo.
Outros pontos cruciais levantados incluíram o combate ao mercado ilegal e o fortalecimento da segurança jurídica para as empresas. Alban reiterou que a indústria está pronta para assumir seu papel motor no crescimento do país. Contudo, ele ressaltou que o poder público precisa abandonar a improvisação e adotar um planejamento e uma execução contínuos e consistentes.
A mensagem final transmitida foi clara: para reverter o quadro de desindustrialização e baixa produtividade, o Brasil precisa de um pacto de Estado que garanta a estabilidade e o planejamento de longo prazo.