Armazenamento de Dados em DNA: Inovações e Potencial Futuro Desde 2012, a tecnologia de armazenamento de dados em DNA tem sido explorada para guardar grandes volumes de informações. Esse método converte arquivos digitais em sequências de bases químicas (A, C, G e T). As cadeias de nucleotídeos, sintetizadas artificialmente, são mantidas como moléculas estáveis. No […]
Desde 2012, a tecnologia de armazenamento de dados em DNA tem sido explorada para guardar grandes volumes de informações. Esse método converte arquivos digitais em sequências de bases químicas (A, C, G e T). As cadeias de nucleotídeos, sintetizadas artificialmente, são mantidas como moléculas estáveis.
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No entanto, os dispositivos de armazenamento atuais, como tubos e placas, não são adequados para volumes industriais, pois requerem muitos recipientes, ocupam espaço e dificultam a automação.
Um estudo realizado em setembro de 2025 por pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China introduziu um novo formato para transformar o DNA em um meio de armazenamento escalável e endereçável: a fita cassete. Essa mídia, composta por uma membrana de nylon e poliéster, foi quimicamente tratada para atuar como um suporte que protege as moléculas de DNA.
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Assim como as fitas cassete tradicionais, as novas fitas de DNA possuem mais de 500 mil partições de dados acessíveis fisicamente.
Um único grama de DNA pode armazenar todo o tráfego mensal da internet. A inovação principal dessa descoberta está na automação e compactação. Os cientistas desenvolveram um dispositivo do tamanho de uma caixa de sapatos que realiza buscas, leitura e escrita de dados sem intervenção humana.
A densidade informacional do DNA é tão alta que um grama pode conter até 455 exabytes de dados, com durabilidade que pode chegar a milhares de anos.
A “mágica” do processo ocorre quando os dados são “escritos” na fita, depositando gotas de DNA sintético em partições específicas. O sistema, denominado Deposit-Many-Recover-Many, permite apagar e regravar informações na mesma posição. Para proteger o material molecular, os pesquisadores aplicaram uma camada cristalina de estruturas metalorgânicas, chamadas ZIFs, que atuam como uma barreira contra umidade e calor.
Uma aplicação imediata da fita de DNA é o arquivamento de dados frios, que são informações raramente acessadas, mas que precisam ser preservadas por longos períodos, como arquivos históricos e registros científicos. Essa abordagem prioriza durabilidade e baixo custo de manutenção, mesmo com acesso mais lento, possibilitando a criação de centros de big data sustentáveis.
No futuro, essa tecnologia pode permitir a criação de hubs de dados pessoais, concentrando toda a memória digital de um indivíduo em um pequeno cartucho durável. Apesar de sua capacidade de armazenamento, a fita de DNA ainda apresenta desempenho inferior em comparação a HDs e SSDs.
Testes mostraram que copiar arquivos pequenos pode levar dezenas de minutos, e a síntese do DNA continua sendo um processo caro e lento, limitando a acessibilidade da tecnologia ao consumidor final.
A ressignificação da fita cassete representa uma mudança significativa, onde, com a redução dos custos de síntese e leitura do DNA, poderemos testemunhar uma nova era no armazenamento de arquivos digitais, que não dependerá mais de eletricidade e silício.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.