Resultados financeiros das gigantes de tecnologia mostram que investidores premiam crescimento com IA, mas penalizam quem não entrega. Descubra os detalhes!
Os resultados financeiros das principais empresas de tecnologia divulgados nesta semana sinalizam uma mensagem clara: os investidores estão dispostos a ignorar os crescentes gastos com inteligência artificial, desde que isso resulte em um crescimento significativo.
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No entanto, são rápidos em penalizar aquelas que não alcançam esse objetivo. A reação do mercado de ações na quinta-feira, após os resultados da Microsoft e da Meta, evidenciou essa mudança de postura desde o lançamento do ChatGPT, que deu início ao boom da IA há mais de três anos.
As ações da Meta, controladora do Instagram, subiram mais de 9% devido a vendas robustas, enquanto as da Microsoft caíram 10% após um desempenho abaixo do esperado em seu setor de nuvem. Após se tornar a empresa mais valiosa do mundo em 2024, a Microsoft enfrenta crescente pressão dos investidores para justificar seus elevados gastos de capital.
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A Microsoft reportou um crescimento de receita em seu serviço de nuvem Azure, que ficou apenas ligeiramente acima das expectativas. Em contrapartida, a Meta se beneficiou da inteligência artificial, o que resultou em um aumento de 24% na receita no quarto trimestre e uma previsão otimista para o primeiro trimestre.
Os resultados indicam que os ganhos da Meta com IA estão financiando investimentos que podem crescer até 87%, alcançando US$ 135 bilhões este ano.
John Belton, gestor de portfólio da Gabelli Funds, comentou que os números da Meta refletem a atitude do mercado em relação aos investimentos em IA. Ele destacou que, em condições normais, o mercado estaria preocupado, mas a previsão de receita otimista da Meta é um bom sinal.
A Microsoft também enfrenta desafios relacionados à OpenAI, sua principal participação, que representa 45% de sua carteira de pedidos em nuvem. Investidores estão preocupados com um possível risco de US$ 280 bilhões, já que a startup, ainda não lucrativa, está perdendo competitividade na corrida da inteligência artificial.
A OpenAI emitiu um alerta interno após o lançamento do Gemini 3 do Google, que recebeu críticas positivas.
Zavier Wong, analista de mercado da eToro, destacou que os laços da Microsoft com a OpenAI sustentam sua liderança em IA empresarial, mas também introduzem um risco de concentração. A Microsoft prevê que o crescimento do Azure se mantenha entre 37% e 38% no primeiro trimestre de 2026, após uma desaceleração no final de 2025, em parte devido a limitações de capacidade dos chips de IA.
Para a Meta, o crescimento da receita reforça a eficácia de sua estratégia de investimento em IA, com uma previsão de aceleração de crescimento para até 33% no trimestre atual. A empresa está firmando parcerias com grandes provedores de nuvem, como o Google, o que é um bom sinal para os resultados da gigante das buscas na próxima semana.
O CEO Mark Zuckerberg afirmou que o uso da IA melhorará a qualidade da experiência orgânica e da publicidade, prevendo um efeito cumulativo. A Meta também espera um aumento de 43% nas despesas totais para US$ 169 bilhões este ano.
A Tesla, sob a liderança de Elon Musk, planeja dobrar seus investimentos este ano para mais de US$ 20 bilhões, focando em inteligência artificial, robôs humanoides e veículos autônomos. A empresa também reportou lucros e receitas trimestrais acima das expectativas, o que impulsionou suas ações em 2,9%.
Analistas apontam que os resultados revelam uma discrepância entre as metas corporativas de IA e as expectativas dos investidores por retornos. Jesse Cohen, analista sênior da Investing.com, observou que o mercado questiona se os aumentos significativos nos gastos de capital resultarão em retornos adequados, refletindo uma crescente divergência entre as ambições das empresas de tecnologia em relação à IA e a paciência de Wall Street com ciclos de investimento indefinidos.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.