República Democrática do Congo confirma 6.041 casos de Ebola em seis províncias
Campanha com mais de 50 mil doses da Ervebo prioriza profissionais de saúde, enquanto estudos avaliam sua proteção contra a cepa Bundibugyo.
O número de casos confirmados de Ebola na República Democrática do Congo chegou a 6.041, segundo dados do governo divulgados nesta segunda – feira (31). O surto, que atinge seis províncias, já é considerado o maior da história do país da África Central e supera o registrado entre 2018 e 2020.
A doença é causada pela cepa Bundibugyo do vírus. Para essa espécie, não existem vacinas ou tratamentos aprovados. O Ministério da Comunicação informou o balanço na rede social X e também mencionou o número de 2.911 pessoas entre os casos registrados.
Surto se espalha por seis províncias
Equipes de resposta trabalham nas seis províncias afetadas. A atuação está concentrada principalmente em Ituri, Kivu do Norte e Haut – Uele, áreas apontadas pelo Ministério como prioritárias no combate à doença.
Ituri foi o local onde o surto foi detectado pela primeira vez. A província continua reunindo a maior concentração de casos, segundo as informações divulgadas pelas autoridades da República Democrática do Congo.
O avanço da doença levou o governo a organizar uma campanha de vacinação para profissionais de saúde que atuam na linha de frente. A medida começou na quinta – feira (27), mesmo com o uso de uma vacina aprovada para uma espécie diferente do Ebola.
Vacinação começa com profissionais de saúde
O ministro da Saúde, Samuel – Roger Kamba, afirmou que a República Democrática do Congo recebeu mais de 50 mil doses da vacina Ervebo. A aplicação foi iniciada nas províncias afetadas, priorizando os profissionais de saúde.
A Ervebo é licenciada contra a espécie Zaire do Ebola e já foi usada com sucesso em surtos anteriores. Estudos iniciais feitos em animais indicam que ela pode oferecer algum nível de proteção contra a espécie Bundibugyo.
Leia também
As autoridades também estão utilizando 20 mil das 70 mil doses alocadas ao em um ensaio clínico para avaliar a eficácia da vacina em seres humanos. O texto divulgado pelo governo não detalha a destinação completa das doses restantes.
Vacinas desenvolvidas especificamente para a espécie Bundibugyo estão em estudo. Entre as candidatas citadas estão projetos da Universidade de Oxford e da Iavi (Iniciativa Internacional para a Vacina contra a Aids.
Campanha começou em Kisangani
A vacinação teve início na cidade de Kisangani, no nordeste do país. Kisangani é a capital da província de Tshopo, uma das seis regiões atingidas pelo surto.
De acordo com Samuel – Roger Kamba, a campanha começará pelas províncias vizinhas a Ituri. A previsão é que a imunização avance progressivamente para o interior do país, enquanto as equipes mantêm as ações de resposta nas áreas afetadas.