Renúncia de Andriy Yermak e suas Implicações para Zelensky
Desde antes do início do conflito na Ucrânia, Andriy Yermak, chefe de gabinete do país, esteve sempre próximo de Volodymyr Zelensky. Ele atuou tanto na recepção de autoridades estrangeiras em Kiev quanto em missões internacionais para garantir apoio militar e diplomático.
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A renúncia de Yermak, no entanto, pode representar o maior desafio político para Zelensky em seus seis anos e meio de mandato.
Embora a saída de Yermak possa ser vista como positiva internamente, ela gera incertezas no governo em um momento crítico para a diplomacia ucraniana. A demissão ocorreu na sexta-feira (28), após uma operação de agentes anticorrupção em sua residência, evidenciando um escândalo crescente sobre supostos subornos no setor de energia.
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A situação se complica ainda mais com a pressão dos EUA para que a Ucrânia assine um acordo considerado favorável à Rússia.
Reações à Demissão de Yermak
Yermak esteve recentemente em Genebra, liderando a delegação ucraniana em reuniões com o Secretário de Estado Marco Rubio. Ao anunciar sua demissão, Zelensky expressou gratidão a Yermak por representar a posição da Ucrânia nas negociações. A queda de Yermak provavelmente será bem recebida pela população, que já demonstrava insatisfação com sua figura, segundo Nataliya Gumenyuk, do Hromadske.
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Escândalos de corrupção e desentendimentos com o ex-chefe do Exército mancharam a imagem de Zelensky. Apesar de seus índices de aprovação estarem abaixo dos níveis de 2022, eles se mantiveram relativamente estáveis. A jornalista Olga Rudenko, do Kyiv Independent, destacou que a saída de Yermak é um sinal da força da democracia ucraniana, capaz de investigar figuras poderosas mesmo em tempos de guerra.
Desafios para Zelensky e o Futuro do Governo
A questão agora é se a saída de Yermak aumentará a pressão sobre Zelensky ou se poderá reverter a situação. Gumenyuk acredita que os ucranianos podem ver a demissão como uma renovação positiva no governo. Deputados do partido de Zelensky elogiaram sua decisão, mas um ex-funcionário levantou dúvidas sobre o que o presidente sabia sobre as ações de Yermak.
A impopularidade de Yermak se deve ao seu grande poder como chefe do Gabinete Presidencial, cargo que não exigia prestação de contas. Orysia Lutsevych, do Chatham House, descreveu Yermak como um “primeiro-ministro paralelo”, que influenciava as escolhas no governo.
Apesar de sua lealdade a Zelensky, a confiança em encontrar um substituto à altura é questionável, especialmente em meio à guerra e à situação internacional.
Impactos Internacionais e a Reação da Rússia
Yermak deveria viajar aos EUA para liderar negociações, mas sua saída levanta incertezas sobre quem o substituirá. Sua reputação no exterior foi prejudicada pelo escândalo de corrupção, especialmente nos EUA, onde qualquer indício de desvio de verbas é um obstáculo significativo.
Um diplomata europeu afirmou que Zelensky não teve escolha a não ser demitir Yermak, dada a repercussão negativa na mídia internacional.
A Rússia, por sua vez, tenta explorar a instabilidade política na Ucrânia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou que a incerteza política está crescendo rapidamente. Donald Tusk, primeiro-ministro da Polônia, observou que a demissão de Yermak coincidiu com a visita do primeiro-ministro húngaro a Moscou, destacando o “caos nas negociações” com os EUA como uma combinação fatal para a Ucrânia.
