Rendimentos de títulos de 10 anos disparam e se aproximam de 5% com liquidação global
Rendimentos globais de títulos soberanos têm a pior semana desde o início da guerra no Oriente Médio.
O mercado global de títulos viveu mais um dia de forte turbulência nesta sexta – feira (10). A liquidação generalizada empurrou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos para perto dos 5%, em meio a um comboio de fatores que inclui o petróleo acima de US 100 por barril e o temor de um novo aperto monetário nos Estados Unidos.
O movimento não se restringiu a Wall Street. De Tóquio a Londres, os custos de financiamento soberano atingiram níveis vistos poucas vezes nas últimas décadas. A guerra no Oriente Médio, que já dura mais de seis meses, continua a alimentar as pressões inflacionárias e a expectativa de que os juros precisarão subir para conter os preços.
Rendimentos globais disparam na pior semana desde o início da guerra
Os rendimentos de referência de 10 anos das economias do G 7 subiram, em média, quase 19 pontos – base nesta semana. Apenas neste período, foi a pior queda semanal desde o começo do conflito no Oriente Médio. Já os papéis de dois anos, mais sensíveis às expectativas de inflação e juros, avançaram cerca de 22 pontos – base na média.
Os maiores aumentos foram registrados em países que dependem fortemente da importação de energia, como Itália e Reino Unido. “Mais uma vez, são os temores geopolíticos que estão impulsionando tudo”, afirmou Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank.
O Banco Central Europeu já deu o tom na quinta – feira (10), ao elevar os juros e alertar que as pressões sobre os preços podem se mostrar duradouras. Nos EUA, dados de preços ao produtor de agosto reforçaram as apostas de que o Federal Reserve pode anunciar uma alta iminente na reunião da próxima semana.
Tempestade perfeita eleva custos para consumidores e governos
O avanço dos rendimentos da dívida soberana não é apenas um fenômeno de mercado. Ele serve de referência para o preço de ativos financeiros e se reflete diretamente no bolso do consumidor, com hipotecas, financiamentos de automóveis e empréstimos mais caros.
Para os governos, a conta também sobe: os custos da dívida aumentam e as escolhas de gastos ficam mais difíceis.
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“Estamos vendo uma tempestade perfeita formada por preços mais altos do petróleo, mais temores de inflação, postura hawkish dos bancos centrais e preocupações contínuas com déficits fiscais”, disse Mansoor Mohi – uddin, estrategista – chefe de macroeconomia do Bank of Singapore. “Tudo isso se combina para empurrar os rendimentos globais para cima.”
O estrategista alertou que, se os dados do índice de preços ao consumidor dos EUA, que serão divulgados ainda nesta sexta – feira (11), vierem fortes, os rendimentos do Treasury de 10 anos “provavelmente ultrapassarão 5,00%”. Uma quebra sustentada desse patamar é vista por analistas como um limite crítico, capaz de tornar os títulos mais competitivos que as ações e drenar recursos dos mercados acionários.
Treasury de 10 anos testa nível de 5% e Japão se prepara para alta de juros
O rendimento do Treasury de 10 anos chegou a subir para 4,979% no pregão asiático, o maior nível desde o final de 2023. O clima de nervosismo se espalhou por outros mercados regionais. Com exceção de breves incursões acima de 5% no final de 2023 e nos anos de 2006 e 2007, a taxa não se manteve por um período significativo acima desse limiar desde 2002.
No Japão, os títulos públicos de 10 anos subiram 6 pontos – base, para 2,97%. A expectativa generalizada é de que o Banco do Japão eleve os juros para o maior nível em 31 anos na próxima semana, e possivelmente sinalize um aperto monetário mais rápido no futuro.
Na Europa, os títulos alemães de 10 anos subiram 1 ponto – base no dia, para 3,503%, após atingirem o maior patamar desde 2011. Já os rendimentos dos títulos franceses de 10 anos se mantiveram estáveis em torno de máximas de 16 anos, a 4,429%.