Relatório do Pentágono alerta que prolongar a guerra com o Irã já é insustentável

A pressão sobre a Marinha, os estoques de Patriot e Tomahawk e a frota de Reaper ameaça missões dos EUA na Europa e no Pacífico.

Secretário de Defesa dos EUA Pete Hegseth no Pentágono

Líderes militares dos Estados Unidos avisaram o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, que manter operações em larga escala contra o Irã se tornou insustentável. O alerta aponta prejuízos à prontidão das Forças Armadas em outras regiões do mundo, segundo apuração do The Washington Post baseada em documentos confidenciais.

Comandantes do EUCOM, do PACOM e do SOUTHCOM, além do principal almirante da Marinha, se posicionaram contra a extensão do envio de tropas, navios e aeronaves ao Oriente Médio. Eles afirmaram, no entanto, que vão cumprir a determinação.

Marinha enfrenta maior pressão no bloqueio ao Irã

A Marinha é a força mais afetada pela aplicação do bloqueio aos portos iranianos. O Almirante Daryl Caudle informou a Hegseth que apenas cerca de um quarto da frota de destróieres dos Estados Unidos está pronta para mobilização.

O índice representa uma queda drástica em relação aos níveis registrados antes da guerra. A situação também obrigou o deslocamento de um navio para o Oriente Médio, com o objetivo de substituir o USS Abraham Lincoln, que está em missão há mais de 300 dias.

O governo Trump mantém a política de pressão total contra Teerã. Na avaliação da cúpula militar, porém, o conflito de seis meses já desgastou as Forças Armadas e compromete a defesa do próprio território americano.

A discordância formal dos comandantes não interrompeu a operação. As lideranças militares disseram que seguirão as ordens de extensão do desdobramento, embora tenham alertado para os efeitos sobre missões consideradas críticas na Europa e no Pacífico.

Estoques de armas e prontidão militar foram afetados

O impasse expõe a distância entre os objetivos estratégicos da Casa Branca e a capacidade logística disponível. A guerra praticamente esgotou os estoques dos Estados Unidos de interceptadores de defesa aérea Patriot e de mísseis de longo alcance Tomahawk.

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O conflito também provocou a perda de aproximadamente 25% da frota de drones Reaper do Pentágono. Bases americanas sofreram bilhões de dólares em danos estruturais, ampliando o custo da operação e reduzindo a margem para uma nova escalada.

Para reforçar o CENTCOM, os Estados Unidos transferiram navios, sistemas de defesa aérea e aeronaves de monitoramento de outros comandos. A medida diminuiu a capacidade de defesa interna e prejudicou o treinamento das tropas.

Líderes do Comando Europeu alertaram que não há forças navais adequadas em quantidade suficiente para proteger Israel e o próprio território americano contra ataques de mísseis. Na Ásia, aliados também temem que o esgotamento dos armamentos aumente sua vulnerabilidade diante da China.

As lideranças do Exército e da Força Aérea concordaram com as diretrizes da operação, mas classificaram a decisão como arriscada. Cerca de 2.000 soldados da 82ª Divisão Aerotransportada terão as missões estendidas para um ano, enquanto unidades que operam sistemas Patriot e esquadrões de bombardeio da Força Aérea devem permanecer no Oriente Médio até 2027.