Reino Unido renomeia consulado em Jerusalém para “Missão do Reino Unido” após crise diplomática

Mudança de nome e equipe reduzida evitam fechamento total da representação britânica após prazo de Israel.

Consulado britânico em Jerusalém Oriental

O Reino Unido anunciou nesta quinta – feira (8) que seu consulado em Jerusalém, que funciona há quase 200 anos, vai continuar aberto, mas com equipe reduzida e um novo nome: passará a se chamar “Missão do Reino Unido” na cidade. A medida foi tomada depois que Israel determinou o fechamento da representação, em meio a uma briga diplomática provocada por sanções britânicas contra assentamentos israelenses.

O prazo de 30 dias dado por Israel para encerrar o consulado terminou nesta quinta. Nos bastidores, porém, os dois países fecharam um acordo para manter o prédio funcionando. A representação fica no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, e é responsável por cuidar das relações do Reino Unido com os palestinos na cidade, além de atuar na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza.

Também presta serviços consulares à população palestina.

A origem da crise diplomática

A disputa começou quando o Reino Unido anunciou sanções contra os assentamentos israelenses. Entre as medidas, está a proibição de importar produtos fabricados nesses assentamentos na Cisjordânia. Em 8 de setembro, Israel reagiu e ordenou que o Reino Unido fechasse o consulado em Jerusalém Oriental em até 30 dias e retirasse os diplomatas da cidade.

Com o acordo firmado às vésperas do prazo, a representação vai continuar, mas em escala menor e com identidade diferente. A decisão evita um rompimento completo das relações consulares britânicas na região.

Por que Jerusalém é um ponto tão sensível?

O status da cidade é alvo de disputa há décadas. Jerusalém esteve sob controle britânico durante o Mandato da Palestina, que terminou perto da criação de Israel, em 1948. Na época, uma resolução da ONU previa que a cidade ficasse sob administração internacional por ser sagrada para o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Após a criação de Israel, países árabes atacaram o novo Estado. A guerra de 1948 resultou no controle israelense de Jerusalém Ocidental e no controle jordaniano de Jerusalém Oriental, onde ficam a maior parte dos locais sagrados. Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel conquistou Jerusalém Oriental e anexou a região em 1980, passando a controlar toda a cidade.

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Israel considera Jerusalém sua capital, mas a maioria dos países não reconhece essa reivindicação e trata Jerusalém Oriental como território ocupado. Os palestinos, por sua vez, querem a parte oriental como capital de um futuro Estado. Décadas de negociações não conseguiram definir o destino da cidade.

Outros países com representações em Jerusalém

O caso britânico não é isolado. Turquia e vários países ocidentais — como França, Bélgica, Grécia, Itália, Espanha e Suécia — também mantêm consulados em Jerusalém. Até hoje, Israel nunca fechou nenhuma dessas representações.

A França, por exemplo, também anunciou sanções contra os assentamentos israelenses, mas até agora Israel não tomou medidas contra o consulado francês. O Canadá igualmente anunciou sanções, mas não tem consulado em Jerusalém.

Já os Estados Unidos seguiram caminho diferente. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, em 2018, transferiram a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém e unificaram a representação com o consulado local. Foi a primeira administração americana a fazer isso.

Uma lei do Congresso americano já previa a mudança desde 1999, mas presidentes anteriores adiaram a decisão por questões de segurança nacional e para não atrapalhar negociações de paz entre israelenses e palestinos.