O regime do Irã resiste às manifestações, segundo Karina Calandrin. A possibilidade de intervenção externa pode intensificar o conflito. O que esperar?
O regime do Irã não apresenta indícios de que irá ceder às manifestações que ocorrem no país, conforme análise da professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP, Karina Calandrin, em entrevista ao Hora H. “Não vejo uma saída fácil e pacífica.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O regime não parece disposto a ceder. Embora não tenhamos números confirmados, sabemos que houve mortes devido ao apagão de internet e comunicações”, explicou Calandrin.
A professora ressaltou que o governo já deixou claro que não pretende se reformar ou dialogar com os manifestantes. “Eles estão apostando no confronto, até mesmo com cortes nas ligações telefônicas”, afirmou.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Calandrin também comentou sobre a possibilidade de uma intervenção externa, alertando que isso poderia intensificar o conflito. “Por outro lado, há a possibilidade de uma intervenção dos Estados Unidos, que também não será pacífica, visando aumentar as sanções que o Irã já enfrenta”, observou.
De acordo com a especialista, as sanções podem agravar a situação econômica do Irã, que é a raiz das manifestações. “Isso pode levar a uma guerra ou a um conflito ainda maior. O Irã é uma potência militar significativa na região, diferente de outros países onde os EUA já intervieram”, alertou.
Sobre o posicionamento de potências como Rússia e China, aliadas do Irã, Calandrin destacou uma mudança na postura desses países. “A Rússia, que interveio militarmente no Oriente Médio e apoiou o Irã com armamentos, agora não tem adotado um discurso tão firme em defesa do país”, detalhou.
Ela explicou que isso se deve ao fato de que o Irã sofreu perdas significativas no ano passado, em ataques dos Estados Unidos e de Israel. “A Rússia não quer investir em quem está perdendo, pois tem uma frente maior na Ucrânia”, analisou.
Por outro lado, a China adota uma postura mais cautelosa. “Ela busca evitar conflitos, pois deseja expandir seu comércio e sua influência econômica, e os conflitos prejudicam essa estratégia”, concluiu.
Questionada sobre as perspectivas para os próximos dias, a professora não demonstrou otimismo. “Podemos esperar mais violência, já que o regime não indicou que irá ceder. Não sou otimista em relação a uma rápida mudança, pois o regime iraniano ainda é muito forte”, afirmou.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.