Redata: O Futuro dos Data Centers no Brasil em Jogo Após Validade da Medida Provisória

A perda da validade do Redata gera incertezas, mas Atilio Ruili da Huawei acredita na reestabilização da medida em 2026. Descubra os impactos!

14/04/2026 03:06

4 min

Redata: O Futuro dos Data Centers no Brasil em Jogo Após Validade da Medida Provisória
(Imagem de reprodução da internet).

Redata e o Futuro dos Data Centers no Brasil

A medida provisória que instituiu o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) perdeu validade em fevereiro, o que levanta preocupações sobre uma indústria que pode atrair investimentos bilionários para o Brasil. No entanto, Atilio Ruili, vice-presidente de Relações Institucionais da Huawei, afirma que o processo “está vivo”.

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A empresa chinesa fornece infraestrutura para data centers, abrangendo desde soluções computacionais até energéticas, e está envolvida nas negociações com o governo para garantir a implementação do Redata.

Ruili acredita que, de forma “conservadora”, a medida deve ser reestabelecida ainda em 2026. Ele ressalta que o regime pode impulsionar investimentos estrangeiros, gerando empregos e renda, além de posicionar o Brasil como um centro de data centers na América Latina, se for bem executado.

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O executivo destaca as vantagens da matriz energética e a diversidade territorial do país.

Articulação para a Manutenção do Redata

Um projeto de lei que visava manter o Redata foi apresentado no final de fevereiro, com o objetivo de criar incentivos fiscais para a instalação de data centers no Brasil antes da perda de validade da MP. Na ocasião, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou sobre a importância da medida.

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O relator do projeto na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), mencionou que existe uma articulação “muito empenhada” entre o setor público e privado para garantir uma “rápida votação” do texto.

Segundo Jardim, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), está comprometido com esse esforço. Ele observou que os desafios estão mais relacionados às circunstâncias políticas entre Alcolumbre e o governo, com disputas a serem superadas. “Estamos aguardando o ‘ok’ do Davi Alcolumbre”, afirmou Jardim ao CNN Money.

Ele também destacou o potencial do Brasil para se tornar um polo de data centers, enfatizando a disponibilidade de espaço e as fontes de energia renovável como diferenciais significativos.

Mobilização do Setor de Tecnologia

A mobilização em torno do Redata também se reflete no setor de data centers, que mantém um diálogo constante com o governo, conforme Luis Tossi, vice-presidente da ABDC (Associação Brasileira de Data Centers). Ele mencionou que, apesar da paralisação no Senado, o setor continua ativo em conversas com lideranças partidárias para demonstrar os impactos econômicos e tecnológicos do Redata, especialmente em relação à atração de investimentos e geração de empregos qualificados.

Entidades do setor produtivo, como a ABDC, Abeeólica, Abes, Brasscom e CNI, assinaram um manifesto em defesa do programa. Tito Costa, CRO da Tecto Data Centers, destacou o alinhamento entre empresas de data center e o poder público sobre a importância estratégica dessa indústria.

Ele ressaltou que o Brasil possui vantagens significativas, como uma matriz energética renovável e uma localização geográfica favorável para conectividade internacional.

Sustentabilidade e Inovação nos Data Centers

O Brasil, que rapidamente ampliou sua capacidade de geração de energia renovável, especialmente eólica e solar, é visto como um líder em sustentabilidade no setor de data centers. Marcos Siqueira, CRO da Ascenty, afirmou que o país possui um dos maiores excedentes de energia renovável do mundo, permitindo um uso estratégico dessa vantagem sem competir com a população por recursos.

Além disso, novos data centers estão adotando sistemas de resfriamento em circuito fechado de água, que consomem menos recursos. Um estudo da Brasscom, com apoio da ABDC e da Fadurpe, revelou que o consumo de água em um data center de grande porte é equivalente ao que 112 famílias de quatro pessoas utilizam em dez dias.

O levantamento também mostrou que o consumo industrial de energia é 21 vezes maior que o dos data centers, enquanto o uso de água na indústria é mais de 3.000 vezes maior.

Fernanda Belchior, diretora de Marketing da Elea Data Centers, destacou que o Brasil parte de uma posição favorável em termos de sustentabilidade, com uma matriz energética predominantemente renovável. Ela também mencionou um esforço coordenado para ampliar o diálogo com a sociedade e diferentes partes interessadas sobre o tema.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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