Redação do Enem 2026: veja como estruturar um bom texto passo a passo

Bruno Alvarez, da Geekie Educação, recomenda definir a tese, planejar os argumentos e revisar o recorte para evitar fugas ao tema na prova.

Diante da folha em branco, o primeiro passo não é escrever: é ler o tema com atenção e definir a tese que o texto vai defender

O “branco” na redação pode atingir até estudantes bem preparados durante o Enem e os vestibulares. Com o cronômetro correndo e a folha ainda vazia, muitos candidatos travam antes mesmo de começar a escrever. Para Bruno Alvarez, head de Ensino e Inovações na Geekie Educação, a dificuldade raramente está na falta de repertório, mas na leitura do tema.

A primeira tarefa é identificar o recorte proposto pela prova. Segundo o especialista, o tema do Enem costuma ser marcado por uma palavra abstrata, como “desafios”, “invisibilidade” e “estigma”.

Como transformar o tema em uma tese

Depois de compreender o recorte, o estudante precisa convertê – lo em uma posição clara. Alvarez sugere testar a frase “vou defender que X, porque A e porque B”. Se não conseguir completar essa estrutura, o candidato ainda tem apenas um assunto, não uma tese.

O planejamento também deve prever argumentos voltados a ângulos diferentes do problema. A proposta de intervenção, que funciona como solução, precisa ser pensada antes da escrita e não apenas no momento de concluir o texto.

Na etapa final, o candidato deve reler a redação e verificar se cada parágrafo continua dentro do recorte apresentado pela prova. Esse cuidado ajuda a evitar que o texto comece tratando do tema específico e termine discutindo o assunto de maneira ampla demais.

Função de cada parte da redação

Para Alvarez, a introdução tem uma tarefa definida: “apresentar o problema e anunciar a tese, sem ainda desenvolver os argumentos”. O parágrafo deve reunir uma contextualização pertinente, a apresentação do problema dentro do recorte e uma tese que indique os dois eixos do desenvolvimento.

A recomendação é não ultrapassar cinco linhas e evitar clichês como “desde os primórdios da humanidade”.

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Nos parágrafos de desenvolvimento, a orientação é direta: “um parágrafo, um argumento, nunca dois”. O candidato deve apresentar a ideia, explicá – la, trazer uma comprovação e relacioná – la novamente ao problema discutido.

Referências a autores, pesquisas, leis ou fatos históricos só ajudam quando o estudante mostra a relação delas com o argumento.

A conclusão concentra a proposta de intervenção, que sozinha vale 200 pontos na correção da redação. Ela deve conter agente, ação, meio, finalidade e detalhamento. Também precisa respeitar os direitos humanos, retomar a tese e evitar a abertura de um assunto novo.

Erros que mais comprometem a nota

A fuga do tema está entre os problemas que mais tiram pontos. Ela ocorre quando o candidato escreve sobre o assunto geral, mas ignora o ângulo específico delimitado pela prova. A prevenção começa com a leitura cuidadosa da proposta e termina na revisão de cada parágrafo.

Outro erro é apresentar uma intervenção incompleta. O estudante pode deixar de oferecer uma solução para o problema ou sugerir uma alternativa sem explicar como ela seria colocada em prática, comprometendo os 200 pontos destinados a essa competência.

Erros de português, especialmente em crase, concordância e pontuação, também prejudicam o resultado. Segundo Alvarez, a melhor estratégia na reta final é seguir “planejamento antes de escrever e revisão criteriosa depois”, em vez de tentar memorizar novos repertórios a poucos dias da prova.