São Paulo amanheceu sob o impacto de uma decisão drástica nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026. O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, anteriormente conhecida como Reag Investimentos, uma instituição de grande destaque no setor financeiro.
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A medida, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, surge em meio a intensas investigações que conectam a gestora a um suposto esquema bilionário de fraudes, envolvendo o Banco Master e suspeitas de lavagem de dinheiro para o crime organizado.
A intervenção do BC interrompe as atividades administrativas da instituição com sede em São Paulo.
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O Escândalo em Detalhes
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, intensificando as investigações. No centro do escândalo está João Carlos Mansur, fundador da Reag, que foi alvo de mandados de busca e apreensão.
A decisão do BC se baseia em “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”.
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Conexões e Valores Envolvidos
A liquidação da Reag não é um evento isolado. Ela se conecta diretamente à queda do Banco Master, ocorrida em novembro passado. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o episódio como a “maior fraude bancária” da história do país.
As investigações revelam suspeitas de que a Reag atuava como parceira estratégica do Master na administração de fundos utilizados para mascarar a venda irregular de carteiras de crédito, com uma transação suspeita com o Banco de Brasília (BRB) que alcançou a cifra de R$ 12,2 bilhões.
A operação da PF, autorizada pelo ministro Dias Toffoli (STF), resultou no bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens.
Investigações e Desgastes
Durante as buscas na Avenida Faria Lima e em outros endereços de luxo, agentes apreenderam carros importados, relógios de alto padrão e quase R$ 100 mil em espécie.
A trajetória da Reag já vinha sendo monitorada após a “Operação Carbono Oculto”. Tanto a Polícia Federal como a Receita Federal identificaram que facções criminosas, como o PCC, supostamente faziam uso de fundos de investimento e fintechs para lavar dinheiro oriundo de fraudes no setor de combustíveis.
Na época, estima-se que R$ 30 bilhões em patrimônio de fundos eram controlados indiretamente pela facção.
Inclusive, em setembro de 2025, o desgaste levou João Carlos Mansur a renunciar à presidência do conselho da empresa.
Impacto nos Investidores
Diferente de um processo de falência comum, a liquidação extrajudicial atinge a entidade administradora, mas não extingue automaticamente os ativos sob sua guarda. A Reag geria mais de 80 fundos de investimento.
Para os cotistas desses fundos, o Banco Central esclarece que a liquidação extrajudicial é o “atestado de óbito” administrativo de uma instituição que outrora ostentava prestígio no coração financeiro do Brasil. O foco agora volta-se para o liquidante nomeado, que deverá seguir os procedimentos legais para a recuperação dos ativos.
