Reações à Ameaça de Tarifas de Trump sobre a Groenlândia
Ao expressar suas intenções sobre o território de um aliado da Otan e ameaçar tarifas para submeter países europeus, o governo Trump abalou a aliança militar de 77 anos. Líderes europeus, que geralmente evitam confrontos diretos com Trump, reagiram de maneira firme, condenando as ameaças e reafirmando apoio à Dinamarca.
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Em um comunicado conjunto, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Países Baixos, Noruega, Suécia e Reino Unido alertaram que as tarifas prejudicam as relações transatlânticas e podem levar a uma perigosa espiral de conflitos. Na semana passada, tropas foram enviadas para participar de exercícios conjuntos na Dinamarca, uma demonstração significativa de apoio ao país.
Histórico da Presença dos EUA na Groenlândia
Os Estados Unidos já possuem uma base de segurança na Groenlândia, um legado da Guerra Fria, quando a proximidade do território com a Rússia era estratégica. Em 1951, os EUA assinaram um acordo de defesa com a Dinamarca, permitindo a instalação de tropas em uma base militar ainda em uso, embora em menor escala.
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Antes disso, os EUA tentaram comprar a Groenlândia em várias ocasiões, a mais recente em 1946. Christian Keldsen, CEO da Greenland Business Association, destacou que não há barreiras para investimentos americanos em setores como energia e turismo na Groenlândia.
Opinião da População Groenlandesa sobre os Planos de Trump
Os planos de Trump são amplamente rejeitados na Groenlândia. Cerca de 5.000 manifestantes, uma parte significativa da população, se reuniram em Nuuk, capital do território, expressando sua oposição com cartazes. Um manifestante afirmou: “Não aceitamos esse tipo de agressão”, referindo-se às ameaças de Trump.
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A postura de Trump em relação à Groenlândia toca em questões profundas da política local, que é influenciada pelo legado colonial dinamarquês. A Groenlândia foi incorporada à Dinamarca em 1953 e conquistou autonomia interna em 1979, mas ainda depende da Dinamarca em áreas como defesa e política monetária.
Reações do Governo Groenlandês e Identidade Nacional
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, criticou a retórica dos EUA, chamando-a de “completamente inaceitável”. Ele afirmou que a linguagem utilizada por Trump é desrespeitosa e errada. A população tem reafirmado sua identidade nacional, com muitos expressando seu descontentamento nas redes sociais.
Na segunda-feira (19), o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, enfatizou que a linha entre negociação e agressão não deve ser cruzada. Ele destacou a importância de se pronunciar contra as ações dos EUA, afirmando que não se pode negociar com pessoas dessa forma.
Apesar da oposição generalizada, alguns groenlandeses, como Kuno Fencker, membro do parlamento, veem os comentários de Trump de maneira mais positiva, considerando-os uma oferta significativa em relação à autodeterminação da Groenlândia.
