Reabertura das Investigações sobre a Morte de Ngange Mbaye Agita São Paulo e Movimentos Sociais

Paulo Sérgio da Costa reabre investigações sobre a morte de Ngange Mbaye, levantando novas esperanças por justiça após o caso ser arquivado.

Reabertura das Investigações sobre a Morte de Ngange Mbaye

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio da Costa, anunciou, nesta segunda-feira (18), a reabertura das investigações relacionadas à morte de Ngange Mbaye, um ambulante senegalês de 34 anos que foi morto a tiros por um policial militar em abril de 2025, no bairro do Brás, na região central da capital paulista.

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A decisão do procurador-geral determina que o caso seja revisado por um novo promotor de Justiça, com o objetivo de apresentar uma denúncia contra o policial envolvido.

Em fevereiro deste ano, o caso havia sido arquivado pela Justiça paulista a pedido do próprio Ministério Público. Na ocasião, o promotor Lucas de Mello Schaefer considerou que o policial que disparou contra Mbaye agiu em legítima defesa durante uma operação de apreensão de mercadorias irregulares.

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Segundo informações da Polícia Militar, Ngange teria tentado agredir os agentes com uma barra de ferro, momento em que foi atingido pelos disparos.

No entanto, testemunhas afirmam que Mbaye foi baleado enquanto tentava proteger suas mercadorias durante a abordagem policial. O vendedor foi socorrido e levado ao Hospital da Santa Casa de Misericórdia, mas não sobreviveu aos ferimentos. A barra utilizada na suposta agressão foi apreendida, assim como a arma do policial.

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Três dias após a morte do ambulante, entidades do movimento negro denunciaram o governo de São Paulo à OEA (Organização dos Estados Americanos) em relação ao caso.

A denúncia foi apresentada por diversas organizações, incluindo a Uneafro Brasil, o Movimento Negro Unificado (MNU), o Instituto de Referência Negra Peregum, a Rede Amparar, a Iniciativa Negra e mais 61 entidades da sociedade civil. Essa ação reforçou uma denúncia anterior, feita em dezembro de 2024, que responsabilizava o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, pela letalidade policial no estado.

Na época, o CDHIC (Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante) emitiu uma nota de pesar, expressando solidariedade à família de Ngange e à comunidade senegalesa, além de destacar os desafios enfrentados por migrantes em sua rotina de trabalho e sobrevivência.