Raízen pede recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 65,1 bilhões! Descubra como isso pode impactar suas operações e o mercado brasileiro!
A Raízen, uma das principais empresas do setor de energia, protocolou nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de reestruturar sua dívida de R$ 65,1 bilhões. A medida visa garantir a continuidade das operações da companhia, evitando impactos negativos em suas atividades.
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Fundada em 2011 como uma joint venture entre a Cosan e a petroleira britânica Shell, a Raízen combina a produção de açúcar e etanol da Cosan com a rede de distribuição de combustíveis da Shell no Brasil. Atualmente, a empresa não apenas produz etanol e açúcar, mas também distribui combustíveis e oferece serviços para o setor de aviação.
Embora não seja evidente para todos, as operações da Raízen influenciam o cotidiano de milhares de brasileiros. Em 2019, a empresa firmou uma parceria com a varejista mexicana FEMSA, que resultou na chegada do mercado de proximidade OXXO ao Brasil em 2020.
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O OXXO rapidamente se tornou popular, recebendo o apelido carinhoso de “Ôshô”.
Atualmente, o Brasil conta com mais de 615 lojas OXXO, muitas delas localizadas em áreas urbanas. Em 2025, a parceria entre Raízen e FEMSA foi encerrada, com a mexicana assumindo as lojas OXXO, enquanto a Raízen recuperou a operação das 1.300 lojas Shell Select e Shell Café.
Apesar do rompimento, a marca OXXO continua forte, resultado da colaboração entre as duas empresas.
A Raízen não se limita apenas ao varejo e postos de gasolina. A empresa também atua no segmento B2B, fornecendo combustíveis para aeroportos. Além do etanol, a companhia produz etanol de segunda geração, açúcar, bioenergia, biogás e biometano.
Globalmente, a Raízen está presente em países como Brasil, Argentina, Estados Unidos, França, Alemanha e Indonésia.
Com mais de 70 bases de distribuição de combustíveis e 68 bases de abastecimento em aeroportos, a Raízen opera cerca de 8 mil postos Shell no Brasil. Na safra 24’25, a produção de açúcar alcançou 5,1 milhões de toneladas, enquanto a comercialização de combustíveis superou 34 milhões de metros cúbicos, abrangendo mais de 1,3 milhão de hectares cultivados.
Mas por que uma empresa desse porte solicita uma recuperação extrajudicial? Segundo Daniela Correa, advogada especializada em Direito Empresarial, essa medida é vista como positiva, pois busca preservar a empresa e suas operações. “O objetivo é permitir que a empresa se recupere financeiramente e continue suas atividades”, afirma.
Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, explica que a recuperação extrajudicial é um passo anterior à recuperação judicial, que é mais formal e envolve maior intervenção da Justiça. “A recuperação judicial é um processo mais complexo, enquanto a extrajudicial visa costurar um acordo entre os principais credores para reestruturar a dívida”, detalha.
Com essa decisão, a Raízen poderá renegociar sua dívida de R$ 65 bilhões, mantendo suas operações ativas e fluxo de caixa por um período de 90 dias. Tozzi ressalta que a recuperação extrajudicial não é um sinal de falência, mas sim um pedido formal de tempo para a empresa.
Arthur Horta, sócio da Link Investimentos, complementa que situações como essa costumam ser bem recebidas pelo mercado.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.