Raízen pode ser controlada pela Shell após negociações frustradas! Descubra como a gigante petrolífera planeja resgatar a produtora de etanol em crise.
A Raízen, produtora brasileira de açúcar e etanol, pode ser controlada pela Shell, gigante petrolífera listada na bolsa de Londres. Isso ocorre após o fracasso das negociações de resgate envolvendo parceiros da joint venture e credores, conforme revelado por duas fontes próximas ao assunto.
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As negociações entre a Shell, coproprietária da Raízen, e a Cosan, que enfrenta sérias dificuldades financeiras, foram interrompidas nesta semana, segundo quatro fontes. A Raízen, uma das maiores produtoras de etanol do mundo, tem enfrentado um aumento significativo em sua dívida nos últimos trimestres.
Em fevereiro, a Raízen, a maior produtora de açúcar global, alertou sobre uma “incerteza significativa” em relação à sua continuidade operacional. Esse alerta mobilizou acionistas e credores em busca de soluções para a companhia. Uma das fontes, que preferiu não ser identificada, informou que a Shell está em contato com bancos e credores para discutir o resgate da Raízen.
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A Shell pretende liderar as negociações e está disposta a injetar capital, mesmo que a Cosan não participe do investimento. A empresa não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários, e tanto a Raízen quanto a Cosan se recusaram a se pronunciar.
A Shell e a Cosan possuem, cada uma, 44% da Raízen, que foi criada como uma joint venture em 2011. A Shell estava disposta a investir R$ 3,5 bilhões na empresa de açúcar, esperando que a Cosan igualasse esse valor. Essa informação foi confirmada por três fontes, incluindo o presidente-executivo da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa.
Uma injeção de capital da Shell poderia diluir a participação da Cosan, com o grau de diluição dependendo do montante da dívida convertido em ações. Apesar de a Cosan ter se mostrado disposta a contribuir com R$ 1,5 bilhão, incluindo R$ 500 milhões do acionista Rubens Ometto, ela não conseguiria igualar o investimento da Shell.
Durante as negociações, a Cosan sugeriu levantar R$ 6,3 bilhões de fundos de private equity associados ao BTG Pactual e outras fontes, com a condição de que a maior parte do capital fosse destinada ao setor de distribuição da Raízen. No entanto, a Shell não aceitou essa proposta.
Atualmente, não há novas conversas agendadas, mas as discussões podem ser retomadas se todas as partes concordarem. A dívida líquida da Raízen alcançou R$ 55,3 bilhões no final de dezembro, resultado de altos investimentos, condições climáticas adversas e incêndios florestais que afetaram as colheitas e a moagem.
Em 2024, a empresa produziu cerca de 3,16 bilhões de litros de etanol.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.