Raízen Enfrenta Desafios Financeiros em Ambiente Adverso
Após um período de investimentos significativos, a Raízen se depara com uma intensa pressão financeira, em meio a um cenário macroeconômico desafiador no Brasil. Este ambiente é caracterizado por altas taxas de juros, flutuações cambiais e dificuldades operacionais, que impactam diretamente a estrutura de capital da empresa.
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Em setembro de 2024, a dívida da Raízen alcançou R$ 49,8 bilhões, resultado de elevados níveis de Capex, aumento das necessidades de capital de giro, encarecimento da dívida e a desvalorização do real em relação ao dólar. Como resultado, a alavancagem financeira deve atingir seu pico entre 2024 e 2025, variando entre 3,0x e 3,5x dívida/EBITDA, um nível considerado elevado para o histórico da companhia.
Rebaixamento de Rating e Perspectivas
A Standard and Poor’s (S&P) revisou a perspectiva do rating da Raízen para negativa, mantendo as notas ‘BBB’ na escala global e ‘brAAA’ na escala nacional. Com o agravamento do risco financeiro, a agência rebaixou o rating global para CCC+ e o nacional para brCCC+, ambos sob CreditWatch negativo.
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De acordo com a S&P, essa decisão reflete o aumento do risco de reestruturação da dívida, fluxo de caixa operacional negativo e dificuldades na captação de capital adicional. A Fitch Ratings também rebaixou o rating da Raízen de BBB para BBB-, mantendo a empresa em Observação Negativa, destacando a combinação de endividamento elevado e geração de caixa abaixo do esperado.
Ações para Redução da Alavancagem
Em resposta a esse cenário, a Raízen implementou diversas medidas para controlar a alavancagem. Entre elas, estão mudanças na alta administração, venda de ativos não essenciais e uma significativa redução do Capex, especialmente em projetos de etanol de segunda geração.
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A companhia também cortou a distribuição de dividendos e intensificou o controle de custos.
No cenário-base da S&P, a empresa pode alcançar uma desalavancagem gradual para cerca de 2,5x até o final do ano fiscal de 2026. Contudo, a volatilidade e a sazonalidade do setor representam riscos a esse processo. As agências esperam que os acionistas adotem uma postura conservadora, mantendo dividendos reduzidos por vários anos para apoiar o reequilíbrio financeiro da companhia.
