Quilombos Resistentes: Luta da Terra e Voz das Mulheres no Brasil!

Quilombos resistem e conquistam direitos! ✊ Comunidades como Santiago do Iguape e São Francisco do Paraguaçu lutam pela terra e identidade. Mulheres quilombolas lideram a resistência com força e organização. Descubra a história!

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(Imagem de reprodução da internet).

Reconhecimento e Resistência: A Luta das Comunidades Quilombolas no Brasil

O reconhecimento legal dos territórios historicamente ocupados pelo povo negro, especialmente os quilombos, é fruto de um longo e árduo processo de luta e organização por parte do movimento negro. Esse direito fundamental foi finalmente assegurado na Constituição Federal de 1988, marcando um avanço crucial na garantia da identidade e da autonomia dessas comunidades.

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A titularização, nesse contexto, vai muito além da simples delimitação territorial do quilombo. Ela representa a garantia da terra como um bem coletivo, intrinsecamente ligado à formação da identidade sociopolítica das pessoas negras. Comunidades como Santiago do Iguape e São Francisco do Paraguaçu, localizadas em Cachoeira (BA), abrigam importantes quilombos, incluindo Kaonge, Kalembá, Kaimbongo e outros, cada um com sua história e particularidades.

A Voz das Mulheres: A Articulação de Mulheres Negras

No coração dessa luta, as mulheres quilombolas desempenham um papel central. A Articulação de Mulheres Negras no Quilombo Engenho da Ponte, fundada em 2006, é um exemplo emblemático dessa força. Composta por 112 mulheres de diversas comunidades quilombolas do distrito de Santiago do Iguape e São Francisco do Paraguaçu, a articulação busca fortalecer a voz das mulheres, garantir sua participação ativa na tomada de decisões e promover a igualdade de gênero.

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A mudança no nome da articulação, de “Articulação de Mulheres Negras” para “Articulação de Mulheres Negras no Quilombo Engenho da Ponte”, refletiu a expansão do movimento, incorporando mulheres de outras comunidades e consolidando a importância do quilombo como centro de resistência e organização.

Um Modo de Vida em Harmonia com a Natureza

A economia das comunidades quilombolas é baseada em uma profunda conexão com a natureza e com os ciclos da vida. A agricultura, a mariscagem, a pesca artesanal e outras atividades são conduzidas de acordo com as características do solo e do clima, utilizando técnicas agroecológicas que respeitam o meio ambiente.

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Essa abordagem, que valoriza a diversidade e a resiliência, garante a prosperidade das comunidades e contribui para a preservação da biodiversidade.

“A gente é uma agricultura, como dizia Nego Bispo. A gente é agricultura quilombola. Nunca a gente fica em falta, uma coisa vai suprindo a outra”, afirma Mara da Ponte, uma líder comunitária que personifica a força e a sabedoria das mulheres quilombolas.

Desafios e Conflitos: Violência e a Luta pela Vida

Apesar de seus avanços, as comunidades quilombolas enfrentam diversos desafios, incluindo a violência de gênero, os conflitos fundiários e os impactos de empreendimentos que ameaçam o meio ambiente. A violência contra as mulheres quilombolas, muitas vezes motivada por preconceito racial e machismo, é uma realidade alarmante, evidenciada pelo caso de Tainara, assassinada em 2024.

“Esse feminicídio repercutiu da pior forma. Para mim ela é um pouco minha filha, como é que se diz? É minha afilhada, eu sou madrinha dela. A mãe dela é minha prima, mas a gente se trata como irmã. E uma menina que em quase todas as rodas estava lá, era a que trançava meu cabelo.

Não só o meu, mas de tantas outras. E para a gente, assim, para o território, é desafiador e muito doloroso até hoje, sabe por quê? Porque não foi apenas um feminicídio, não foi apenas um crime, a gente até hoje não sabe nada, não tem o corpo.

A gente não velou.”

A luta das comunidades quilombolas é, portanto, uma luta pela vida, pela liberdade e pela justiça social. É um lembrete constante da importância de valorizar a diversidade, respeitar os direitos das minorias e proteger o meio ambiente.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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