Queijo Ralado no Brasil: Desafios e Oportunidades em um Mercado Competitivo

O mercado de queijo ralado no Brasil enfrenta desafios e oportunidades, com 25 mil toneladas movimentadas anualmente. Descubra os segredos desse setor

(Imagem de reprodução da internet).

Mercado de Queijo Ralado no Brasil: Desafios e Oportunidades

O setor de queijo ralado no Brasil movimenta aproximadamente 25 mil toneladas anualmente, consolidando-se como um dos segmentos mais competitivos da indústria de laticínios. Apesar dos volumes expressivos e da forte presença nas prateleiras, o mercado enfrenta desafios relacionados à rentabilidade, à percepção de valor pelos consumidores e à crescente busca por diferenciação.

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De acordo com Angelo Sartor, CEO da empresa, o queijo ralado se tornou um dos mercados mais disputados dentro da cadeia láctea brasileira, envolvendo desde grandes marcas nacionais até empresas regionais que buscam espaço no varejo. “É um mercado extremamente disputado.

Os volumes são significativos, praticamente todo mundo consome queijo ralado. Existem os líderes nacionais, mas também muitas marcas regionais atuando nesse segmento”, afirma.

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Desafios Econômicos do Setor

Apesar da demanda, o setor enfrenta uma situação considerada contraditória do ponto de vista econômico. Ao contrário do que muitos consumidores pensam, o queijo ralado passa por um processo industrial que agrega custos e reduz o rendimento da matéria-prima.

Frequentemente, é comercializado por preços inferiores aos do queijo vendido em pedaços.

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Sartor explica que existe uma percepção equivocada em relação ao produto. “O consumidor costuma acreditar que o queijo ralado deveria custar menos do que uma fração de queijo. Mas a realidade é justamente o contrário”, diz. Para produzir o queijo ralado tradicional, o laticínio utiliza um queijo já pronto, que passa por um processo de desidratação, aumentando sua vida útil e permitindo a comercialização em temperatura ambiente.

Concorrência e Inovação

Na prática, isso significa que há menos produto disponível para venda após o processamento, além dos custos industriais envolvidos na transformação e embalagem. Mesmo assim, a intensa concorrência entre as empresas pressionou os preços para baixo ao longo dos anos. “Houve uma competitividade muito grande dentro desse mercado e isso acabou puxando o preço do queijo ralado para níveis inferiores ao que seria esperado pelo processo produtivo”, afirma Sartor.

A disputa por participação de mercado levou as empresas a buscarem novas estratégias para agregar valor ao produto. Nos últimos anos, alguns laticínios começaram a investir em versões premium, refrigeradas e sem desidratação, tentando reproduzir a experiência de consumir um queijo fresco.

A RAR, por exemplo, lançou um queijo ralado fresco, que preserva características sensoriais mais próximas do produto consumido diretamente de uma peça de queijo.

Desafios na Mudança de Hábito do Consumidor

O desafio, no entanto, está na mudança de hábito do consumidor. Como o produto precisa ser mantido refrigerado, ele não ocupa o espaço tradicional dos queijos ralados convencionais nas áreas secas dos supermercados. “O consumidor está acostumado a procurar queijo ralado na prateleira.

Quando ele passa para a área refrigerada, existe uma mudança de comportamento que leva tempo para ser assimilada”, explica.

A busca por diferenciação reflete uma tendência mais ampla observada na indústria de alimentos. Em vez de competir apenas por volume, parte das empresas passou a investir em qualidade, origem dos ingredientes e experiências de consumo mais sofisticadas.

No caso da RAR, a estratégia está alinhada ao posicionamento da empresa no mercado de laticínios premium.

O Queijo Ralado como Produto Estratégico

Mesmo com margens menores do que as obtidas na venda de queijos fracionados, o queijo ralado continua sendo considerado um produto estratégico pelas indústrias. Ele amplia a presença das marcas nos pontos de venda e fortalece o relacionamento com o consumidor. “Muitas vezes a margem é menor do que a obtida com o queijo vendido em pedaços, mas o queijo ralado tem uma função importante de fidelização”, explica.

O segmento também se beneficia da atuação de grandes laticínios, que utilizam o queijo ralado para aproveitar estruturas logísticas e canais comerciais já estabelecidos no varejo. O crescimento do consumo de produtos premium abre espaço para novas oportunidades, com uma parcela crescente de consumidores disposta a pagar mais por qualidade e diferenciação.

Tendências Futuras no Setor

Para Sartor, a tendência é que o setor continue dividido entre produtos de grande volume e opções voltadas a consumidores que valorizam atributos específicos. “O mercado continuará tendo espaço para produtos de massa, mas também para aqueles consumidores que buscam qualidade, sabor e uma experiência diferenciada. É nesse segmento que nós acreditamos e continuamos investindo”, conclui.