Queda na oferta de fertilizantes gera apreensão entre produtores para a safra 2026/27

Queda na Oferta de Fertilizantes no Brasil Preocupa Produtores para a Safra 2026/27
A diminuição na disponibilidade de fertilizantes no Brasil gera preocupação para a próxima safra, especialmente em um cenário onde os produtores já enfrentam margens apertadas e uma relação de troca desfavorável. A consultoria Argus estima uma redução de cerca de 15% na oferta de fertilizantes, com destaque para os fosfatados, essenciais para o cultivo da soja.
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Pesquisas realizadas com representantes do setor indicam que, até o final de abril, menos de 50% do volume planejado para a safra 2026/27 havia sido adquirido, um número inferior aos mais de 60% registrados no mesmo período do ano anterior.
Esses dados foram apresentados em um evento promovido pela consultoria, realizado em São Paulo na quarta-feira (6). A situação é alarmante, pois as compras em atraso podem resultar em dificuldades no descarregamento de fertilizantes nos portos brasileiros, especialmente no de Paranaguá (PR), que é o principal ponto de entrada desses insumos.
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Em cenários pessimistas, já se discute um impacto significativo no país, principalmente entre os fosfatados, que são os mais utilizados no plantio da safra de grãos que se inicia no segundo semestre.
Desafios e Riscos Climáticos
A analista da Argus, Nathalia Dalle Cort, destacou que o índice que mede o poder de compra dos produtores em relação aos insumos atingiu níveis semelhantes aos observados no início da guerra na Ucrânia, quando os preços no mercado internacional dispararam.
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Esse cenário elevado tem dificultado as negociações, atrasando as compras e aumentando o risco de gargalos logísticos, uma vez que uma parte significativa dos insumos ainda precisa ser entregue na janela ideal para o plantio.
O quadro se torna ainda mais delicado com a possibilidade de um El Niño severo, com mais de 90% de probabilidade de ocorrência durante o período de plantio da próxima safra. Esse fenômeno pode causar excessos de chuvas na região Sul, complicando as operações portuárias, enquanto no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, principal produtor de soja do Brasil, aumenta o risco de estiagens.
Historicamente, anos de El Niño estão associados a quedas significativas na produção de grãos, elevando a incerteza sobre o desempenho da safra 2026/27.
Demanda por Soja e Margens de Esmagamento
Apesar dos desafios, a demanda por soja continua em crescimento, impulsionada pelas importações da China e pelo consumo interno, especialmente com o avanço dos biocombustíveis. Esse movimento sustentou a expansão da área plantada nas últimas décadas e deve persistir, embora de forma mais moderada.
A expectativa é de um crescimento marginal da área plantada, inferior a 0,3%, o que ainda representa um novo recorde, mas em um ritmo mais contido em comparação aos anos anteriores.
Outro aspecto a ser observado dentro da cadeia produtiva são as margens de esmagamento. Com a volatilidade dos derivados, o óleo de soja tem se tornado crucial para a rentabilidade da indústria, sendo o principal responsável por equilibrar os custos do processamento em um ambiente de margens mais apertadas, conforme ressaltou a Argus.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



