Queda na Idade de Abate de Bovinos no Brasil: O Que Está Mudando?

A idade de abate dos bovinos no Brasil cai para 18 meses, refletindo avanços em genética e nutrição. Descubra como isso impacta o mercado!

(Imagem de reprodução da internet).

A queda na idade de abate dos bovinos no Brasil

A idade de abate dos bovinos no Brasil tem diminuído nos últimos anos. Em sistemas mais avançados, os animais já são abatidos com apenas 18 meses. Essa mudança é resultado da intensificação da produção, que inclui investimentos em genética, nutrição, confinamento e integração lavoura-pecuária, além das exigências de mercados importadores, como a China.

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Dados da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul) referentes a abril de 2026 revelam que a redução da idade de abate é uma realidade significativa em parte do rebanho sul-mato-grossense. Entre os machos abatidos, a maior concentração ocorreu nas faixas etárias de 13 a 24 meses, com 72.106 animais, e de 25 a 36 meses, com 71.455 cabeças.

Outros 20.941 bovinos tinham mais de 36 meses, enquanto 1.556 foram abatidos antes dos 12 meses.

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Dados sobre o abate de fêmeas

No que diz respeito às fêmeas, foram abatidas 59.785 cabeças entre 13 e 24 meses, 47.868 entre 25 e 36 meses e 62.300 com mais de 36 meses. O levantamento também registrou 710 fêmeas abatidas com menos de 12 meses. Esses números indicam que a maioria dos bovinos abatidos no estado chega aos frigoríficos antes dos três anos de idade, especialmente entre os machos, refletindo os avanços nos sistemas de produção mais intensivos.

No Mato Grosso, essa tendência é ainda mais evidente. Dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) mostram que, entre janeiro e abril de 2026, 44% dos bovinos abatidos tinham até 24 meses, o maior percentual desde o início da série histórica em 2006.

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Para comparação, no início do levantamento, os animais abatidos com até dois anos representavam apenas 2% do total.

Mudanças no sistema de produção

Informações da Cargill, com base em um levantamento que abrange mais de 11,7 milhões de bovinos avaliados ao longo de uma década, indicam que os animais estão entrando cada vez mais leves nos sistemas de terminação. O peso de entrada dos bovinos nos confinamentos brasileiros tem diminuído, em média, 1 kg por ano nos últimos dez anos.

Embora essa redução pareça pequena, ela sinaliza uma mudança estrutural na produção de carne bovina nacional.

Felipe Bortolotto, líder de tecnologias para bovinos de corte da Cargill, afirma que essa tendência reflete um processo de antecipação do ciclo produtivo. Em vez de manter os animais por mais tempo nas fazendas, os pecuaristas estão acelerando a terminação e aumentando a rotatividade dos rebanhos. “Estamos observando uma entrada cada vez mais precoce dos animais nos confinamentos, ligada à necessidade de produzir mais carne com o mesmo rebanho”, explicou.

Impacto das exportações e exigências do mercado

A mudança foi destacada durante a APAS Show 2026 pelo diretor executivo de originação e confinamentos da Friboi, Eduardo Pedroso. Ele ressaltou que a redução do ciclo produtivo é uma das principais transformações das últimas décadas e tem contribuído para aumentar a competitividade do Brasil no mercado global.

A pecuária tradicional brasileira, que se baseava em sistemas extensivos, resultava em bovinos abatidos com idade superior a quatro anos.

Com a evolução dos sistemas de produção, especialmente pela integração lavoura-pecuária e o uso de genética melhorada, o ciclo foi encurtado significativamente. “Hoje, praticamente toda a produção da JBS está abaixo de 30 meses, caminhando para 20 meses”, afirmou Pedroso.

Esse movimento ganhou força principalmente após o aumento das exportações para a China, que exige animais com até 30 meses para habilitação das plantas exportadoras.

Qualidade da carne e eficiência produtiva

A redução da idade de abate também impacta diretamente a qualidade da carne oferecida ao consumidor. Rodrigo Gomes, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, explica que animais abatidos mais jovens apresentam características valorizadas pelo mercado. “Animais mais velhos podem produzir carne mais dura e escura.

Ao intensificar a produção e reduzir a idade de abate, a tendência é obter carne mais macia e com melhor aspecto visual”, destacou.

Os sistemas de terminação intensiva utilizam dietas com maior concentração energética, favorecendo a deposição de gordura e melhorando atributos relacionados ao sabor e à suculência da carne. Apesar de entrarem mais leves no confinamento, os animais tendem a permanecer mais tempo nos cochos para atingir os pesos desejados de abate.

Dados da Cargill indicam que o período médio de confinamento está aumentando gradualmente, em cerca de um dia por ano.

Exemplo de sucesso na Fazenda Rio Manso

A Fazenda Rio Manso, localizada em Campo Verde (MT), exemplifica esse modelo produtivo. A propriedade realiza atividades integradas de agricultura e pecuária, com 1.300 hectares de soja, mil hectares de milho, 1.030 hectares destinados à pecuária de corte e 200 hectares de eucalipto.

O proprietário da fazenda, Rodrigo Minuzzi, afirma que os animais já são abatidos aos 18 meses, especialmente as novilhas terminadas em confinamento.

O sistema produtivo da fazenda inclui IATF (inseminação artificial em tempo fixo), recria intensiva e engorda em confinamento, permitindo maior produtividade por hectare e melhor aproveitamento dos recursos. A redução da idade de abate ocorre em um momento em que o Brasil amplia sua participação no mercado global de carne bovina, superando os Estados Unidos e se tornando o maior produtor mundial, além de liderar as exportações globais há mais de uma década.