
Dados recentes compilados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), baseados no Censo Escolar de 2025, apontam um declínio acentuado nas matrículas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Rio Grande do Sul.
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Este levantamento dispara um sério alerta sobre o acesso à educação pública na região.
O estudo revela que, desde 2019, houve uma diminuição de 64,1% no número de estudantes na modalidade EJA. O quantitativo caiu de 71.703 para apenas 25.725, representando a perda de 45.978 oportunidades de retomada dos estudos.
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Para o Cpers, essa redução expressiva não pode ser interpretada apenas como uma mudança na demanda. O sindicato aponta que ela é consequência direta do fechamento de turmas, da precarização das condições de ensino e da carência de políticas de suporte, como transporte e alimentação.
Adicionalmente, o avanço da precarização do trabalho e a limitação de tempo da classe trabalhadora também afetam diretamente a permanência escolar. O sindicato associa essas questões a um projeto de desmonte da educação pública gaúcha, atribuindo a responsabilidade ao governo Eduardo Leite (PSD).
A EJA, historicamente vital para jovens trabalhadores excluídos do sistema regular, tem sofrido um progressivo abandono por parte dos governos estaduais. O patamar atual está muito abaixo dos anos anteriores, indicando uma política de redução estrutural da oferta educacional.
O Cpers alerta que, apesar do Rio Grande do Sul participar do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA — iniciativa federal de 2024 —, o governo Leite não estaria cumprindo seu papel. Guilherme Reichwald Jr., professor do IFSul, critica a ausência de planejamento consistente.
“Falta uma política de busca ativa para estudantes da EJA. Nos últimos governos, nunca houve um planejamento consistente e ações concretas para o fortalecimento da modalidade — muito pelo contrário”, afirma Reichwald Jr.
O estudo do DIEESE mostra que o Rio Grande do Sul ocupa apenas a 13ª posição no ranking nacional de matrículas em EJA, ficando atrás de estados com populações menores, como Piauí e Paraíba. Isso evidencia a grande retração da modalidade no estado.
Silvio de Oliveira, professor de História e atuante na EJA desde 2013, descreve a batalha para manter o modelo de ensino no Neeja. Ele ressalta que a instituição é a única que oferece EJA e Neeja em diferentes níveis de ensino no RS.
Ele enfatiza que os estudantes são majoritariamente grupos vulneráveis, como mulheres, negros, LGBTQIA+ e imigrantes. Silvio lamenta que o governo Leite dificulte essa realidade ao tentar fechar escolas e retirar professores, gerando uma “tensão permanente”.
O professor Silvio de Oliveira também apontou o aspecto pedagógico, mencionando que a EJA está sendo tratada como um ensino resumido, sem a noção de totalidade. Além disso, o cancelamento de matrículas por falta de localização dos alunos, apesar dos esforços de busca ativa, é um problema recorrente.
Para o Cpers, o cenário atual no Rio Grande do Sul configura um projeto deliberado de desresponsabilização do governo estadual em relação à educação pública, atingindo de modo mais severo os setores mais vulneráveis da população.
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Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.