Quase metade dos universitários brasileiros não se sente pronta para lidar com IA em 2026

Pesquisa Pearson e AWS revela que só 47% aprovam o ensino de IA nas universidades, enquanto 44% dos empregadores já priorizam essa habilidade.

03/09/2026 05:30

3 min

Pesquisa analisou percepção de alunos, empregadores e profissionais do ensino superior sobre inteligência artificial, educação e mercado de trabalho
Pesquisa analisou percepção de alunos, empregadores e profission...

Uma pesquisa da holding de educação Pearson em parceria com a Amazon Web Services (AWS) mostra que 52% dos estudantes brasileiros consideram estar preparados bem ou razoavelmente bem para um ambiente profissional baseado em inteligência artificial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O levantamento foi realizado entre 7 e 28 de janeiro de 2026 e ouviu participantes no Brasil.

O estudo analisou os efeitos da IA no ensino superior em seis países e identificou uma diferença entre o avanço da tecnologia, o conteúdo oferecido pelas universidades e as habilidades esperadas pelas empresas. A média de estudantes que se consideram preparados nos países avaliados foi de 61%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Universidades ainda não acompanham exigências das empresas

Entre os graduandos brasileiros, apenas 47% afirmaram estar satisfeitos com a quantidade de conteúdos sobre IA nos currículos pedagógicos. O índice é o menor registrado entre os países analisados.

A percepção dos estudantes contrasta com o peso que essas habilidades já têm nos processos seletivos. Para 44% dos empregadores brasileiros, saber utilizar ferramentas de IA é uma das prioridades na contratação de recém – formados. A compreensão dos riscos e das limitações dessas tecnologias aparece com o mesmo percentual.

Na prática, as empresas não buscam apenas profissionais capazes de operar ferramentas. A pesquisa aponta que também são necessárias compreensão dos limites da tecnologia, capacidade de analisar criticamente as respostas produzidas e percepção dos riscos associados ao uso da IA.

Competências tradicionalmente ligadas ao trabalho humano vêm logo depois. Para 38% dos empregadores, adaptabilidade, comunicação e colaboração são prioridades na escolha de recém – formados.

Leia também

Estudantes recorrem a ferramentas por conta própria

Mesmo com a insatisfação em relação à presença da IA nas grades curriculares, entre 55% e 66% dos estudantes disseram usar ferramentas que não foram aprovadas ou disponibilizadas pelas instituições de ensino. O dado reforça a distância entre o que é ensinado formalmente e o que os universitários procuram aplicar no dia a dia.

Essa diferença também é percebida pelas empresas. Para 42% dos empregadores brasileiros, a distância entre o conhecimento acadêmico e a aplicação em situações reais dificulta a contratação de recém – formados.

O cenário observado no Brasil difere do registrado nos Estados Unido e no Reino Unido. Nesses países, comunicação e colaboração aparecem no topo das prioridades dos empregadores, enquanto no Brasil as habilidades relacionadas diretamente à IA ocupam a primeira posição.

Apesar das dificuldades, 54% dos empregadores afirmaram que os recém – formados de hoje chegam ao mercado mais preparados do que aqueles contratados há cinco anos. Entre os pontos fortes citados estão a agilidade para aprender, mencionada por 58%, e a capacidade de utilizar ferramentas digitais e de IA, indicada por 52%.

Para Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil, o desafio é fazer com que a ampliação do acesso à tecnologia resulte em preparo efetivo para o mercado de trabalho.

Quem participou do levantamento

No Brasil, a pesquisa consultou 500 participantes. O grupo foi formado por 350 estudantes de graduação, 100 líderes do ensino superior e 50 empregadores.

O levantamento foi conduzido pela Pearson em parceria com a Amazon Web Services (AWS) e considerou as percepções de estudantes, representantes do ensino superior e empresas sobre a formação profissional diante da expansão da inteligência artificial.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!