Putin alerta sobre crise de energia global devido a conflitos no Oriente Médio
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda-feira (9) que a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã provocou uma crise global de energia. Ele destacou que a produção de petróleo que depende do transporte pelo Estreito de Ormuz pode ser interrompida em breve.
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Putin ressaltou que a Rússia, como o segundo maior exportador de petróleo do mundo e possuidora das maiores reservas de gás natural, está disposta a retomar a cooperação com os clientes europeus, caso estes demonstrem interesse. Nos últimos quatro anos, as potências ocidentais reduziram significativamente a dependência do petróleo e gás russos em resposta à guerra na Ucrânia e às sanções impostas pela União Europeia e pelo G7.
Impactos da guerra no mercado de petróleo
Com a perda do mercado europeu, a Rússia teve que vender petróleo e gás a preços reduzidos para a Ásia. Durante uma reunião televisionada com autoridades e líderes do setor de energia, Putin reiterou que a desestabilização do Oriente Médio poderia resultar em uma crise energética com sérias consequências para a economia global, uma realidade que, segundo ele, já se concretizou.
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Os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 por barril nesta segunda-feira (9), alcançando níveis não vistos desde 2022. Isso ocorreu devido ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, que representa cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito.
Previsões e estratégias da Rússia
Putin alertou que a produção de petróleo dependente do Estreito de Ormuz pode ser totalmente interrompida no próximo mês, com a produção já em declínio e as instalações de armazenamento na região se enchendo de petróleo sem possibilidade de transporte.
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Ele avaliou que o transporte está se tornando extremamente difícil e caro.
O presidente russo enfatizou que as empresas do país devem aproveitar a situação atual no Oriente Médio, embora tenha indicado que o aumento nos preços pode ser temporário. O petróleo e gás representam cerca de 25% das receitas do orçamento federal russo.
Putin também mencionou que a Rússia está preparada para implementar “medidas necessárias” em resposta ao aumento dos preços globais do petróleo, mas não se comprometeu a liberar reservas de emergência. Ele reiterou a disposição de trabalhar com os europeus, desde que haja sinais de que estão prontos para garantir a sustentabilidade e a estabilidade nas relações comerciais.
Na semana passada, Putin instruiu o governo a considerar a transferência dos fluxos de petróleo e gás russos restantes para fora da Europa, antes que a União Europeia comece a aplicar a proibição de combustíveis fósseis russos. Antes do conflito na Ucrânia, a Europa importava mais de 40% do gás da Rússia, mas em 2025, as vendas de gás russo representaram apenas 13% do total das importações da UE.
