Psicanálise e a Urgência do Feminicídio: Uma Análise Profunda
A afirmação da psicanalista Rosane Pereira sintetiza a urgência que impulsionou a criação do manifesto “Psicanalistas contra o Feminicídio”, lançado por um coletivo de profissionais do Brasil e do exterior. Diante da escalada das violências de gênero, o documento denuncia o feminicídio não como um fenômeno isolado, mas como parte de um projeto político de extermínio de mulheres, convocando a comunidade psicanalítica a assumir uma posição ética e implicada no enfrentamento dessa realidade.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A data do lançamento, 25 de junho de 2026, marca um momento crucial para a reflexão e ação.
Compreendendo a Estrutura da Violência de Gênero
O manifesto destaca a necessidade de compreender a violência de gênero como algo estrutural, transcendendo a visão individual e conectando-se a processos históricos como a caça às bruxas e o avanço do capitalismo. Rosane Pereira, fundadora e presidente honorária da Associação Projeto Gradiva, ressalta a importância de analisar o laço social, marcado por diversas formas de violência, e a recolonização capitalista como elementos centrais nesse contexto.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A prevalência de feminicídios em regiões com lutas contra o racismo e pelos direitos das mulheres reforça essa análise.
O Papel da Psicanálise na Intervenção
A clínica psicanalítica, segundo Pereira, se baseia na escuta do individual, do singular de cada paciente, que carrega os efeitos de sua relação com seus outros. A psicanálise não pode se dissociar do laço social, pois o problema da violência de gênero é um sintoma grave da sociedade.
LEIA TAMBÉM!
A escuta de mulheres em situação de violência, por exemplo, fortalece-as e permite que desenvolvam recursos subjetivos para se protegerem de seus agressores, um processo fundamental na análise.
Responsabilidade Ética e Política da Comunidade Psicanalítica
O manifesto convoca psicanalistas a tomarem uma posição ética e política, retomando o gesto de Freud de escutar mulheres. A psicanálise sempre foi uma prática clínica subversiva, desafiando normas sociais e reconhecendo a pluralidade de desejos e diferenças.
A comunidade psicanalítica deve se engajar em projetos de clínicas públicas, como proposto por Freud em 1918, e se implicar no sintoma do laço social, buscando soluções para a desigualdade e a violência.
Conclusão: Um Chamado à Ação
A urgência do feminicídio, conforme expressa por Rosane Pereira, reside na preocupação com a experiência humana e na impossibilidade da psicanálise de se omitir diante desse problema. A convocação à comunidade psicanalítica para assumir uma postura ética e política, baseada na escuta, na subversão e no engajamento social, representa um passo fundamental para o enfrentamento da violência de gênero e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
O lançamento do manifesto em 25 de junho de 2026, reunindo psicanalistas, pesquisadoras e coletivos, marca o início de um novo ciclo de reflexão e ação.
