Protestos de Professores podem Parar a Copa do Mundo no México em Dois Dias!

Protestos de professores podem adiar a abertura da Copa do Mundo no México. Descubra como as manifestações impactam o torneio e as reivindicações da CNTE!

(Imagem de reprodução da internet).

Protestos de Professores Ameaçam Início da Copa do Mundo no México

Faltando apenas dois dias para a abertura da Copa do Mundo na Cidade do México, uma série de manifestações lideradas por professores pode interromper o início do torneio, que será co-organizado pelo México, Estados Unidos e Canadá, atraindo um grande número de turistas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As mobilizações começaram há pouco mais de um mês, após a CNTE (Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação) apresentar uma lista de reivindicações ao governo da presidente Claudia Sheinbaum. O grupo, dissidente da SNTE (União Nacional dos Trabalhadores da Educação), o maior sindicato de professores do país, anunciou que intensificaria suas ações caso suas demandas não fossem atendidas.

Desde então, o sindicato tem promovido marchas, bloqueios de ruas, ocupações de pedágios e protestos em frente a prédios públicos, resultando em pichações e tensões com a polícia. O governo de Sheinbaum, por sua vez, iniciou um diálogo com os líderes sindicais, apresentando propostas e defendendo os benefícios já concedidos ao sindicato, mas até o momento não houve um acordo entre as partes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Reivindicações da CNTE

A lista de reivindicações apresentada pela CNTE ao governo em 1º de maio inclui, entre suas principais demandas, a revogação da lei do ISSSTE (Instituto de Segurança e Serviços Sociais dos Trabalhadores do Estado), aprovada em 2007 durante a presidência de Felipe Calderón, além das reformas educacionais implementadas durante os mandatos de Enrique Peña Nieto e Andrés Manuel López Obrador.

O sindicato também exige a reintegração de um sistema de previdência solidário para professores, um aumento salarial de 100% e a reintegração de docentes demitidos.

Leia também

Essa não é a primeira vez que a CNTE faz reivindicações desse tipo. O sindicato, com forte presença em estados como Oaxaca, Chiapas, Veracruz, Michoacán, Guerrero e Cidade do México, já havia protestado em 2013 contra a reforma educacional de Peña Nieto, que permitia a demissão de professores reprovados em avaliações periódicas.

Embora López Obrador tenha prometido revogar essa legislação ao assumir a presidência em 2018, a CNTE afirma que as mudanças não foram significativas. Agora, o sindicato reitera a necessidade de um sistema de previdência financiado pelo Estado e salários mais altos, argumentando que isso é essencial para garantir condições de vida dignas aos professores.

Posição do Governo

O governo, por sua vez, alega não ter recursos suficientes para atender a todas as reivindicações da CNTE. “É claro que devemos continuar fortalecendo a educação pública; ninguém nega isso. No entanto, há demandas que podem ser atendidas e outras que o orçamento não comporta.

Portanto, o que buscamos, sempre dentro do âmbito dos recursos disponíveis, é melhorar as condições dos professores”, afirmou a prefeita em coletiva de imprensa em 18 de março, quando a CNTE apresentou suas demandas.

Nas últimas semanas, os Ministérios do Interior e da Educação Pública, junto ao ISSSTE, realizaram sessões de diálogo com representantes da CNTE na tentativa de chegar a um acordo. Após uma reunião em 4 de junho, o governo anunciou que propôs à CNTE o fortalecimento da PENSIONISSSTE e a criação de uma seguradora pública especializada em pagamentos de pensões, mas a proposta foi rejeitada pelos professores.

Três dias depois, o governo divulgou um comunicado defendendo medidas como um aumento salarial de 10% em 2025 e mais 9% em 2026, mas essa argumentação também não convenceu os docentes.

Intensificação dos Protestos

Enquanto a CNTE ameaça intensificar seus protestos na quinta-feira, durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, Sheinbaum reafirmou que seu governo está aberto ao diálogo e não reprimirá as manifestações. Contudo, ela também mencionou, sem apresentar provas, que existem grupos externos tentando “provocar” as autoridades. “Existem grupos que querem nos provocar, e não são necessariamente professores.

O que eles buscam é repressão, estou dizendo isso claramente”, declarou a presidente em coletiva de imprensa.

O sindicato dos professores CNTE planeja realizar uma grande marcha até o Estádio Azteca na quinta-feira (11), conforme comunicados públicos. Outros setores de trabalhadores, insatisfeitos com políticas governamentais, também devem se juntar aos protestos.

Além disso, uma manifestação de mães que buscam seus entes queridos desaparecidos é esperada, pois acreditam que o governo prioriza a Copa do Mundo em detrimento da localização de seus familiares desaparecidos.

Cenário Complexo para o Governo

Essa situação apresenta um cenário desafiador para a administração de Sheinbaum e para o governo da Cidade do México, que afirmam garantir tanto o início da Copa do Mundo quanto o direito de protestar. Antecipando as manifestações e possíveis interrupções no trânsito, o governo emitiu um aviso aos órgãos federais.

A UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México) também anunciou a suspensão de suas atividades na segunda-feira. Além da cerimônia de abertura, a Cidade do México sediará outras quatro partidas da Copa do Mundo nos dias 17, 24 e 30 de junho, e 5 de julho.

O cientista político Gustavo López Montiel, professor do ITESM, comentou que a CNTE, que já aceitou propostas do governo anteriormente, está aproveitando a Copa do Mundo para aumentar a pressão e buscar melhores condições. Ele observa que diversos fatores estão sendo explorados tanto pela CNTE quanto por outros atores políticos para estabelecer uma posição de negociação mais favorável.

Segundo o analista, as chances de o governo apaziguar os protestos antes do início da Copa do Mundo são baixas, especialmente devido à complexidade da situação e à diversidade de grupos envolvidos.

Enquanto os preparativos para a Copa do Mundo seguem no Estádio Azteca, do lado de fora, o governo mexicano e os professores em protesto enfrentam uma batalha cujos desdobramentos permanecem incertos.