Protestos no Irã completam 13 dias, desafiando o regime de Khamenei e resultando em mortes. Trump alerta sobre consequências severas. Entenda a crise!
Na sexta-feira (9), os protestos contra o governo no Irã completaram 13 dias consecutivos, marcando uma onda de “agitação nacional” que representa um dos maiores desafios ao regime em anos. As autoridades enfrentaram a maior noite de manifestações até o momento, resultando em um isolamento quase total do país em relação ao mundo exterior.
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Organizações de direitos humanos relataram que dezenas de pessoas perderam a vida desde o início dos protestos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou retaliar caso as forças de segurança iranianas utilizem força excessiva. Em resposta, o Líder Supremo, Ayatollah Ali Khamenei, aconselhou Trump a se concentrar em seus próprios problemas e acusou os EUA de incitar os protestos.
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Com a crescente insatisfação pública, a CNN apresenta um resumo dos principais pontos sobre a situação atual.
Os protestos começaram devido à inflação descontrolada, mas rapidamente se transformaram em manifestações mais amplas contra o regime. A situação se agravou na semana passada, quando os preços de itens essenciais, como óleo de cozinha e frango, dispararam, levando à escassez de produtos nas prateleiras.
A decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a importadores acessar dólares a preços mais baixos contribuiu para o aumento dos preços e o fechamento de lojas, desencadeando os protestos.
A decisão dos bazaris, comerciantes tradicionais do Irã, de se mobilizar é significativa, pois eles historicamente apoiaram o regime. O governo, liderado por reformistas, tentou aliviar a pressão oferecendo transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas essa medida não foi suficiente para conter a insatisfação popular.
As manifestações atuais são as maiores desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial, provocou protestos em massa. Pessoas de mais de 100 cidades participaram dos atos, que se espalharam por províncias, incluindo Ilam e Lorestão, onde a insatisfação é alta.
Multidões desafiaram diretamente Khamenei, gritando “Morte a Khamenei”.
Relatos indicam que 950 policiais e 60 membros da força paramilitar Basij ficaram feridos durante os confrontos. A ONG de Direitos Humanos do Irã (IHRNGO) informou que pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito crianças, foram mortos desde o início dos protestos, com centenas de feridos e mais de 2.000 detenções.
A CNN não conseguiu verificar esses números de forma independente.
Os recentes protestos se destacam por terem sido iniciados pelos bazaris, um grupo tradicionalmente leal ao regime. Historicamente, os bazaris desempenharam um papel crucial em movimentos políticos no Irã, e seu apoio foi fundamental para a queda do xá.
A insatisfação com a economia e a desvalorização da moeda levaram os bazaris a se mobilizar, resultando em protestos fatais.
As autoridades tentaram distinguir entre manifestantes econômicos e aqueles que pedem mudanças de regime, rotulando os últimos como “mercenários” apoiados por forças externas. Especialistas afirmam que esses protestos, independentemente do resultado, podem prejudicar ainda mais a legitimidade do Estado, que já enfrenta uma crise de confiança.
Desde 1979, o Irã é uma teocracia, e o atual presidente, Masoud Pezeshkian, eleito em 2024, enfrenta limitações em seus poderes, com Khamenei controlando as principais questões de Estado. Pezeshkian, que prometeu alívio econômico, enfrenta desafios significativos, incluindo corrupção e má gestão, que afetam a classe trabalhadora e a classe média.
Na sexta-feira (9), o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica emitiu um comunicado afirmando que a preservação do governo é sua “linha vermelha”. Reza Pahlavi, filho do falecido xá, se apresentou como uma alternativa ao regime, apoiando os protestos e convocando ações coordenadas em todo o país.
Donald Trump advertiu o Irã sobre consequências severas caso manifestantes sejam mortos, afirmando que os EUA responderiam com força. Em contrapartida, Khamenei pediu a Trump que se concentre em seus próprios problemas, afirmando que o povo iraniano unido derrotará seus inimigos.
A situação continua a evoluir, com incertezas sobre o futuro do regime e a resposta da população.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.