Protestos anti-imigração em Belfast geram violência e resgates; o que levou a essa situação?

A violência em Belfast gerou um cenário caótico, com protestos anti-imigração e resgates de moradores em meio a incêndios. O que motivou essa escalada de

10/06/2026 18:06

3 min

Protestos anti-imigração em Belfast geram violência e resgates; o que levou a essa situação?
(Imagem de reprodução da internet).

Protestos Anti-Imigração em Belfast Resultam em Violência

Na terça-feira (9), pessoas foram resgatadas de uma rua em Belfast, capital da Irlanda do Norte, que estava tomada por veículos e casas em chamas durante protestos contra a imigração. Equipes de emergência foram vistas batendo nas portas das residências e conduzindo os moradores para uma viatura policial, enquanto os bombeiros lutavam contra os incêndios.

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Durante a noite, homens mascarados atearam fogo em casas e veículos, em resposta a um ataque com faca realizado por um homem sudanês.

Centenas de manifestantes, muitos com os rostos cobertos, se mobilizaram após a divulgação de um vídeo do ataque, que deixou uma pessoa gravemente ferida no pescoço e na cabeça. Líderes políticos destacaram que a violência estava direcionada a minorias étnicas.

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O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou: “É evidente que as pessoas foram alvejadas na noite passada por causa da sua origem e não vou tolerar isso. Os responsáveis sentirão todo o rigor da lei.”

Suspeito do Ataque Comparece ao Tribunal

O suspeito do ataque, Hadi Alodid, um homem sudanês de 30 anos, foi apresentado a um tribunal na quarta-feira (10), onde teve a prisão preventiva decretada. A vítima, um homem na casa dos 40 anos, sofreu ferimentos graves no rosto e nas costas, conforme informações do tribunal.

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A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, condenou a “covardia” dos homens mascarados, afirmando que “grupos de homens mascarados incendiando casas e expulsando famílias de seus lares é nada menos que um ato de covardia repugnante.”

Vídeos do ataque circularam nas redes sociais, incitando apelos a protestos violentos. A polícia precisou ajudar uma família a escapar de uma casa em chamas, enquanto diversos veículos e um ônibus foram incendiados. Políticos locais relataram que muitas das vítimas eram negras, e O’Neill enfatizou que não há justificativa para tais ataques.

Tensões e Reações em Escalada

O ataque, que não está sendo tratado como terrorismo, ocorre em um contexto de tensões elevadas no Reino Unido, após um assassinato alegadamente racista. A situação se agrava com protestos frequentes sobre imigração, com partidos populistas afirmando que a política de asilo do Reino Unido permitiu a entrada de indivíduos perigosos.

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O bilionário Elon Musk se manifestou sobre o caso, afirmando que apenas protestos constantes podem provocar mudanças.

A ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, alertou sobre a manipulação do medo e da raiva gerados pelo ataque, destacando que “não devemos permitir que preocupações genuínas sejam instrumentalizadas por pessoas de má-fé.” Ela lembrou que a demonização de um grupo inteiro pode causar danos significativos, e que a Irlanda do Norte já enfrentou essa situação no passado.

Protestos em Outras Regiões do Reino Unido

Claire Hanna, líder do SDLP, descreveu a violência em Belfast como um “pogrom racial”, ressaltando que o ecossistema online que fomentou essa situação terá consequências para a população local. Protestos menores também foram registrados em Londres e nas principais cidades da Escócia, Glasgow e Edimburgo, onde manifestantes bloquearam brevemente a Praça do Parlamento.

O pastor Jack McKee, de Belfast, relatou que membros de sua igreja, que residem na região há 20 anos, estavam sendo expulsos apenas por serem negros. Historicamente, a imigração na Irlanda do Norte foi baixa devido ao conflito entre nacionalistas e unionistas, mas nos últimos anos, o aumento da migração e o sentimento anti-imigração têm se intensificado.

De acordo com o censo de 2021, 96,6% da população da Irlanda do Norte era branca, e tumultos anti-imigração ocorreram no ano anterior, em meio a indignações relacionadas a alegações de agressão sexual que foram posteriormente retiradas pela promotoria.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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