Proposta de fim da escala 6×1 no agronegócio gera tensão; entenda os impactos possíveis

A proposta de acabar com a escala 6×1 no agronegócio levanta preocupações sobre como isso pode afetar a produção e a dinâmica do setor. Quais serão os impactos?

14/06/2026 10:06

3 min

Proposta de fim da escala 6×1 no agronegócio gera tensão; entenda os impactos possíveis
(Imagem de reprodução da internet).

A proposta de fim constitucional da escala de trabalho 6×1 no agronegócio

A proposta de eliminar a escala de trabalho 6×1 gerou preocupações no setor do agronegócio. Entidades ligadas à agricultura ressaltam que as particularidades desse setor devem ser levadas em conta nas discussões sobre alterações na jornada de trabalho, sob pena de causar impactos negativos na produção rural.

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Em entrevista, Clorialdo Roberto Levrero, membro do conselho deliberativo da Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal), enfatizou que o trabalho agrícola possui dinâmicas específicas que não podem ser desconsideradas por uma legislação rígida. “Essas particularidades não se restringem ao campo, mas também se aplicam à agricultura”, afirmou.

Janelas de produção e sazonalidade

Clorialdo mencionou algumas especificidades, como as janelas de plantio e colheita, que impõem prazos muito curtos aos produtores. “A soja, por exemplo, precisa ser plantada em um período de 15 a 20 dias. Muitas vezes, o agricultor não consegue seguir horários fixos, pois precisa agir rapidamente para não comprometer a produtividade final”, explicou.

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Além das atividades diretamente relacionadas ao campo, ele destacou que toda a cadeia de insumos também é impactada. Clorialdo citou equipamentos industriais que operam continuamente, como fornos e maquinários que utilizam ácido sulfúrico, cujo desligamento acarretaria custos elevados de recuperação. “Essas flexibilidades são essenciais e não devem ser endurecidas por uma nova legislação”, ressaltou.

Proposta do setor: Modernização com período de transição

Para Clorialdo, é fundamental que a legislação trabalhista seja atualizada e modernizada, levando em consideração as realidades de cada segmento econômico. Ele mencionou um manifesto da Fiesc, que conta com mais de 3 mil assinaturas representando 90% da economia brasileira, defendendo essa perspectiva. “A proposta é clara: não pode ignorar as particularidades de cada setor”, afirmou.

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O representante da Abisolo também defendeu que qualquer alteração legislativa deve ser elaborada em conjunto com a indústria, o comércio, entidades representativas dos trabalhadores e o governo, incluindo um período de transição adequado. “Uma norma que contemple um período de transição permitirá ajustes sem causar um impacto excessivo”, disse, criticando a ideia de implementar mudanças drásticas em um curto espaço de tempo.

Legislação atual e desafios recentes

Quando questionado se a legislação atual atende às necessidades do trabalho no campo, Clorialdo avaliou que, em condições normais, a lei abrange entre 70% e 80% do setor. No entanto, ele apontou um desafio recente: a dificuldade em registrar trabalhadores safristas, já que muitos não desejam perder benefícios governamentais ao serem formalmente contratados nas fazendas durante a colheita. “Esse é um problema recente e frequente que precisa ser resolvido”, concluiu.

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Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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