O Projeto Vault dos EUA, anunciado por Donald Trump, pode impulsionar iniciativas brasileiras de lítio e terras raras. Descubra como!
A reserva de minerais críticos anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (2), pode abranger projetos brasileiros de lítio e terras raras já monitorados pelo governo americano. Denominada “Projeto Vault”, a iniciativa conta com um financiamento de US$ 10 bilhões do EXIM Bank, que é o braço financeiro do governo dos EUA voltado para apoiar exportações e projetos estratégicos no exterior.
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Além disso, outros US$ 2 bilhões devem ser provenientes da iniciativa privada. O EXIM Bank já manifestou interesse em financiar dois projetos minerais no Brasil, um relacionado a terras raras e outro ao lítio. Contudo, essas cartas de interesse não são vinculativas e apenas indicam a disposição inicial do banco para prosseguir com as análises, que ainda estão em fase de due diligence técnica, ambiental e financeira.
No que diz respeito às terras raras, o banco emitiu uma carta de interesse de até US$ 250 milhões para apoiar o desenvolvimento do Projeto Caldeira, da mineradora australiana Meteoric Resources. Localizado em Poços de Caldas (MG), o Projeto Caldeira é um dos mais avançados em terras raras fora da China, baseado em depósitos de argilas de adsorção iônica, o mesmo modelo geológico utilizado pelos chineses.
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Esse tipo de depósito é raro e altamente estratégico, pois permite a extração com menor movimentação de material, processamento mais simples e impacto ambiental reduzido. Em dezembro, o projeto obteve licença ambiental prévia, iniciou a operação da planta-piloto e realizou a primeira produção de carbonato misto de terras raras, etapa crucial para a validação técnica do empreendimento.
Apesar dos avanços, o financiamento do EXIM ainda depende da aprovação interna do banco.
Além das terras raras, o EXIM Bank também emitiu uma carta de interesse não vinculante para o Projeto Bandeira, da Lithium Ionic, situado em Minas Gerais. Essa carta prevê até US$ 266 milhões em financiamento, mas a operação está condicionada à due diligence e não representa um compromisso definitivo de crédito.
Em um balanço divulgado em janeiro de 2026, a Lithium Ionic destacou que 2025 foi um ano de transformação operacional, com aumento dos recursos minerais e a entrega de um estudo de viabilidade revisado. Para 2026, a empresa planeja concluir o licenciamento ambiental e estruturar o financiamento do projeto, visando levar o Projeto Bandeira à fase de construção, com atividades comerciais previstas para iniciar em 2027.
Segundo a companhia, o projeto pode posicionar o Brasil como um fornecedor relevante de concentrado de espodumênio para a cadeia global de baterias, especialmente em um momento em que os Estados Unidos buscam diversificar o acesso a minerais críticos e reduzir a dependência da China nesse setor.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.