Denúncia chocante: Projeto Natureza causa crise com indígenas e riscos ambientais no Rio Grande do Sul! 🚨 Relatório aponta irregularidades, falta de diálogo e ameaças à fauna e flora. A comunidade Guarani Tekoá Pindó Mirim denuncia negligência no estudo de impacto ambiental. Saiba mais!
O “Projeto Natureza”, da , tem gerado crescente preocupação devido a denúncias de impactos ambientais e à falta de diálogo com as comunidades indígenas locais. Um relatório, assinado pelo jornalista Micael Olegário, detalha as tensões entre o empreendimento e os povos originários que vivem na área de influência do projeto, situado no município de Barra do Ribeiro (RS).
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A situação se agrava com relatos de irregularidades no processo de licenciamento ambiental e a ausência de consulta livre e informada, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Em janeiro de 2026, a equipe do ouviu a comunidade indígena Guarani Tekoá Pindó Mirim, localizada em Itapuã, distrito de Viamão (RS). Essa aldeia, diretamente afetada pelo megaprojeto, denuncia que o estudo de impactos ambientais não considerou adequadamente os povos indígenas da região.
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Lideranças Mbya Guarani e a Comissão Guarani Yvyrupa, coordenada por Arnildo Werá Moreira, ressaltam a pressão da empresa e a pressa para que aceitem uma indenização e permitam a continuidade do projeto. A situação levanta questões sobre o respeito aos protocolos de consulta e os potenciais impactos a longo prazo na região.
Antes mesmo da consulta formal, representantes da empresa apresentaram propostas de compensação e melhorias estruturais às comunidades. Em dezembro, surgiu a sugestão de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com um fundo de R$ 50 milhões destinado ao apoio aos guaranis do estado.
No entanto, nem todas as lideranças concordam com o processo, argumentando que ele não respeita os protocolos de consulta. A preocupação se estende ao impacto ambiental, com a previsão de lançamentos de 242 milhões de litros de efluentes diários no Guaíba, um volume superior ao esgoto doméstico de mais de 1,2 milhão de pessoas.
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) indica que a fábrica demandará um consumo significativo de água, com um retorno estimado de 80% ao manancial após tratamento. A proximidade com captações do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) de Porto Alegre aumenta as preocupações sobre a qualidade da água.
Apesar da promessa de uma estação de tratamento de “alta eficiência”, especialistas e movimentos socioambientais questionam os riscos cumulativos em uma bacia já pressionada por eventos extremos, como as enchentes de 2024.
O estudo mapeou 310 espécies de flora e 321 espécies de fauna na área de influência, incluindo mamíferos ameaçados de extinção, como o gato-maracajá e o bugio-ruivo. A região integra ecossistemas do Pampa e da Mata Atlântica, biomas que sofrem degradação crescente no estado.
A previsão de consumo anual de 11,8 milhões de toneladas de madeira também reacende o debate sobre a expansão da silvicultura, com pesquisas acadêmicas alertando para os impactos de monoculturas de eucalipto na qualidade e disponibilidade hídrica.
Durante uma audiência pública, políticos locais e representantes do setor industrial celebraram o empreendimento, destacando a expectativa de 12 mil empregos temporários e cerca de 2,3 mil vagas na fase de operação. O governo estadual também manifestou apoio ao investimento, considerado estratégico para o desenvolvimento econômico da região.
Inicialmente, a Fepam descartou novas audiências públicas, mas após mobilização de entidades socioambientais e a apresentação de um abaixo-assinado, o órgão admitiu a possibilidade de novos encontros. A CMPC, que atua no RS desde 2009, enfrentou um vazamento em sua planta em fevereiro de 2025, que afetou moradores do entorno.
A empresa cita o histórico de conflitos territoriais com o povo Mapuche no Chile como um alerta para possíveis impactos sociais em Barra do Ribeiro.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.