Professor da UnB critica negociações entre EUA e Irã e aponta interesses pessoais de Trump

Professor Juliano Cortinhas critica a falta de compromisso dos EUA com a paz no Oriente Médio, destacando interesses pessoais nas negociações com o Irã

Imagem da Casa Branca após disparos serem relatados próximos à área na noite deste sábado (23)

A recente rodada de negociações entre os Estados Unidos e o Irã, concluída na manhã desta segunda-feira, 22 de fevereiro de 2026, suscitou reações significativas no cenário geopolítico do Oriente Médio. Em uma análise sobre as implicações desse processo, o professor Juliano Cortinhas, especialista em Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), comentou sobre os interesses que permeiam essas conversas.

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Interesses Pessoais nas Negociações

Cortinhas destacou que os negociadores americanos parecem estar motivados por agendas pessoais, ao invés de um real interesse pela estabilidade regional. “Os negociadores do Trump têm diversos interesses em jogo, mas a busca pela paz no Oriente Médio não é uma prioridade para eles”, afirmou.

O professor acredita que a situação atual reflete uma falta de compromisso com a segurança e a paz duradoura na região.

O especialista também fez referência ao papel de Jared Kushner, ex-conselheiro da Casa Branca e genro de Donald Trump. “Kushner não possui qualidades diplomáticas nem busca o bem-estar dos Estados Unidos; ele é um especulador imobiliário interessado em lucrar com esses acordos”, criticou Cortinhas.

Essa dinâmica, segundo ele, representa um retrocesso na qualidade da democracia americana.

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Além disso, Cortinhas apontou que a política interna dos Estados Unidos também influencia as negociações. Um acordo que fosse considerado minimamente aceitável poderia beneficiar Trump eleitoralmente e ajudar a apaziguar a insatisfação crescente entre os eleitores americanos.

Impacto sobre Israel e a Política de Netanyahu

A decisão dos Estados Unidos de permitir que o Irã retome suas exportações de petróleo gerou forte descontentamento em Israel. Cortinhas analisou que essa questão é vista por Netanyahu sob a ótica de sua própria política interna, onde enfrenta sérios processos judiciais que podem culminar em sua prisão após deixar o cargo. “A manutenção dos conflitos na região — seja com a Palestina, o Irã ou o Líbano — serve aos interesses políticos de Netanyahu”, explicou.

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O professor argumentou que a continuidade das tensões no Oriente Médio beneficia Netanyahu em sua tentativa de se manter como uma figura central na política israelense e postergar os desafios legais que enfrenta. “Ele não está interessado em promover a paz, pois isso poderia acelerar sua saída do governo”, ressaltou Cortinhas.

Para o analista, qualquer progresso nas negociações dependerá significativamente da pressão exercida pelos Estados Unidos sobre Israel. Isso tornaria as conversas não apenas desafiadoras em relação ao Irã, mas também complicaria as dinâmicas com outros países da região.

A situação permanece delicada e complexa, refletindo um cenário onde interesses pessoais muitas vezes se sobrepõem às necessidades coletivas por estabilidade e paz.