Produtividade por hora trabalhada no Brasil cai no primeiro trimestre de 2026, aponta FGV Ibre
A queda na produtividade por hora trabalhada no Brasil no primeiro trimestre de 2026 destaca a necessidade urgente de discutir melhorias econômicas e sociais
A produtividade por hora trabalhada no Brasil apresentou uma queda no primeiro trimestre de 2026, conforme dados do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). Esse resultado reacende discussões sobre a qualidade do crescimento econômico do país e levanta questionamentos sobre a viabilidade de uma eventual redução legal da jornada de trabalho.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, do FGV Ibre, observa que a baixa produtividade é um problema persistente nas últimas décadas, com impactos diretos na renda da população.
Impactos da Baixa Produtividade na Renda
Barbosa Filho explica que o aumento da produtividade é essencial para promover um crescimento da renda sustentável, o que, por sua vez, melhora as condições de vida das pessoas. Ele destaca que a estagnação na produtividade é um dos fatores que explicam a falta de avanço consistente na renda per capita dos brasileiros e a classificação do Brasil como uma economia de renda média. “O crescimento da produtividade é o que possibilita um aumento de renda sustentável”, afirmou.
Tradicionalmente, o debate sobre a jornada de trabalho se concentra no bem-estar dos trabalhadores. No entanto, o pesquisador enfatiza a importância econômica desse tema. Em economias mais produtivas, os ganhos gerados tendem a ser divididos entre aumentos salariais e reduções progressivas na jornada laboral. “Em geral, dois terços dos ganhos de produtividade se traduzem em aumento salarial e um terço em diminuição da carga horária ao longo do tempo”, detalhou.
Desafios Estruturais à Produtividade
No Brasil, a produtividade por hora trabalhada cresceu apenas 0,6% ao ano nas últimas décadas, resultando em um aumento pouco superior a 7% em dez anos. Barbosa Filho alerta que uma redução imediata da jornada de trabalho em cerca de 9% consumiria todo esse ganho acumulado. “O aumento da produtividade não tem sido suficiente para compensar a diminuição das horas trabalhadas”, explicou.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Outro ponto importante abordado pelo pesquisador é o possível esgotamento do modelo de crescimento baseado na ampliação do uso do fator trabalho. Muitas empresas têm optado por aumentar as horas trabalhadas por funcionário, em vez de contratar novos colaboradores.
Isso pode indicar que grande parte da força de trabalho qualificada já está empregada. “Numa economia onde a demografia começará a apresentar desafios devido ao crescimento reduzido do fator trabalho no futuro, o ganho de produtividade se torna fundamental”, ressaltou.
Leia também
Barbosa Filho elenca diversos fatores que contribuem para o baixo desempenho produtivo no Brasil: burocracia excessiva, infraestrutura inadequada, falta de qualificação da mão de obra, um sistema tributário complicado e um ambiente empresarial desfavorável.
Ele menciona o chamado “custo Brasil” como um elemento que prejudica a competitividade mesmo das empresas mais eficientes internamente.
Caminhos para Melhorar a Produtividade
Embora reconheça avanços recentes como a reforma tributária — que está promovendo melhorias fiscais — o pesquisador defende que o país deve progredir ainda mais em áreas como educação e tecnologia. “Para conseguirmos ganhos sustentáveis em produtividade, precisamos aprimorar nossa educação e adotar tecnologias mais adequadas”, afirmou.
Ao considerar experiências internacionais sobre redução da jornada de trabalho, Barbosa Filho argumenta que essa mudança deve ocorrer naturalmente como resultado do aumento da produtividade e ser preferencialmente negociada entre empresas e trabalhadores.
Uma imposição legal sem respaldo nos ganhos produtivos pode elevar os custos das empresas e aumentar a rotatividade no mercado de trabalho. “O trabalhador que espera ganhar o mesmo recebendo menos horas pode acabar precisando trocar de emprego ou aceitar salários inferiores”, concluiu.
Para ele, reformas estruturais — mesmo que impopulares — são fundamentais para garantir tanto o aumento da renda quanto a redução sustentável da jornada laboral.