Produtividade no Brasil cai 0,5% no primeiro trimestre de 2026, aponta pesquisa do FGV Ibre

A queda de 0,5% na produtividade brasileira no primeiro trimestre de 2026 acende alertas sobre os desafios econômicos e a necessidade de reformas estruturais

20/06/2026 20:41

3 min

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Uma pesquisa realizada pelo FGV Ibre revelou que a produtividade por hora trabalhada no Brasil registrou uma queda de 0,5% no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse dado surge em um contexto de discussão no Congresso Nacional sobre a possível extinção da jornada de trabalho 6×1, o que levanta questionamentos acerca dos impactos que tal mudança poderia ter na economia do país.

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Fatores que Influenciam a Produtividade

Em entrevista à CNN, Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV-EESP, apontou que os fatores responsáveis pelo baixo crescimento da produtividade brasileira são bem conhecidos e persistentes. Segundo ela, “além da questão do custo do capital e da taxa de juros elevada, que desincentiva o investimento produtivo, há também a escassez de mão de obra qualificada, o que acaba prejudicando ainda mais os investimentos nos setores”.

Tatiana ressaltou um desequilíbrio estrutural entre os diferentes setores econômicos do Brasil. Enquanto o agronegócio tem apresentado um crescimento consistente na produtividade nas últimas três décadas, a indústria e os serviços permanecem estagnados.

Com o setor de serviços representando cerca de 60% da economia nacional, sua baixa produtividade acaba ofuscando os avanços do agronegócio, resultando em um desempenho geral insatisfatório.

Jornada de Trabalho e Seus Efeitos

Ao ser indagada sobre a relação entre a jornada de trabalho e a produtividade, Tatiana Pinheiro afirmou que “o impacto é real e documentado”. Ela enfatizou que o debate sobre a eliminação da jornada 6×1 deve considerar não apenas os custos diretos para os setores produtivos, mas também as despesas geradas pelo adoecimento dos trabalhadores, que recaem tanto sobre o Estado quanto sobre as empresas.

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A pesquisadora também mencionou uma recente queda no ranking mundial de competitividade do Brasil, onde o país caiu sete posições e agora ocupa a 65ª colocação. Entre os principais fatores para essa diminuição estão o alto custo do capital, a fragilidade das instituições e a baixa qualidade da mão de obra disponível. “Mesmo com a aprovação da reforma tributária, a carga tributária no Brasil continua sendo complexa e pesada”, acrescentou Tatiana.

Apesar dos desafios, ela acredita que as perspectivas podem ser positivas se analisadas sob o prisma da produtividade da força de trabalho. No entanto, defende que o tema deve ser amplamente discutido antes de qualquer decisão final. “Não devemos agir apressadamente; é essencial dedicar tempo para debater esse assunto e definir um plano adequado”, concluiu Tatiana.

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A especialista destacou a importância do aumento da produtividade para o Brasil, sendo um dos canais possíveis por meio da força de trabalho qualificada.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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