Prefeito Damião veta multa por porte ilícito em BH

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), vetou integralmente um projeto que visava criar multa por porte ou uso de entorpecentes em espaços públicos do município.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Inicialmente proposto pelo Legislativo local e autoralidade atribuída ao vereador Sargento Jalyson (PL), o texto previa uma sanção administrativa no valor de R 1,5 mil para quem fosse flagrado com posse desses materiais na área urbana da capital mineira.
A decisão foi publicada oficialmente no Diário Oficial da União (DOU) neste sábado, dia 27 de junho de 2026.
Argumentos constitucionais contra a lei municipal
Na justificativa formal sobre seu veto, Álvaro Damião argumentou que tal medida é inconstitucional por tratar diretamente de matéria penal; portanto, sua competência legislativa seria privativa e exclusiva da esfera federal — ou seja, da União.
Essa visão encontra respaldo em pareceres técnicos: o próprio artigo constitucional citado pelo Executivo estabelece limites claros para as ações municipais. Segundo avaliação feita pela Procuradoria – Geral do Município (PGM), criar uma punição administrativa dessa natureza configuraria algo como “sanção penal paralela”.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A PGM alertou ainda no documento oficial que essa prática violaria especificamente o Artigo 22 da Constituição Federal ao aplicar sanções administrativas a condutas já reguladas por lei de âmbito nacional.
Críticas técnicas e preocupações com direitos humanos
O projeto, além das questões constitucionais levantadas na esfera executiva, recebeu críticas severas durante sua tramitação em diversas instituições. A Defensoria Pública Estadual de Minas Gerais manifestou – se contra o texto porque ele ultrapassava os limites municipais para legislar sobre comportamentos tipificados como crime.
Leia também
Além disso, houve apontamento pelo órgão que tal iniciativa poderia gerar um tratamento desigual no relacionamento entre cidadãos e as autoridades locais; foi também criticada a possibilidade do PL prever suspensão da multa caso houvesse submissão voluntária ao tratamento químico dependência — uma previsão considerada por alguns especialistas insuficiente ou problemática sem mais detalhes legais.
Abordagem punitiva versus prevenção
A preocupação com direitos humanos ecoa em outras secretarias. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) alertou publicamente na época que o projeto adota abordagem “predominantemente punitiva”. Segundo esta visão técnica, isso contrariaria diretrizes importantes para os usuários químicos além de aumentar significativamente a estigmatização social desses indivíduos no município.
Não menos crítica foi a retórica da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos; ela apontou um risco concreto de seletividade tanto nas abordagens quanto nos aspectos sociais ou raciais aplicados pela lei municipal proposta. Com este veto do prefeito Damião, o texto retorna à Câmara Municipal
A Casa Legislativa terá agora o poder de decidir sobre as críticas levantadas, podendo optar por manter integralmente o projeto em votação final ou derrubá – lo completamente para que não entre em vigor.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



