Os preços dos ovos no Brasil disparam em março de 2026, com alta de até 19%! Descubra os motivos por trás dessa valorização e o impacto na quaresma.
Após cinco meses consecutivos de queda, os preços dos ovos no Brasil começaram a subir novamente em fevereiro e continuam em alta em março. Essa elevação é impulsionada pela demanda aquecida, especialmente devido ao período da quaresma, e pela oferta mais restrita no mercado interno.
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Um levantamento realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indica que essa valorização está ocorrendo em todas as regiões analisadas. Na média parcial de março, os preços do ovo tipo extra branco apresentaram um aumento de até 19% em comparação a fevereiro.
Claudia Scarpeli, pesquisadora do Cepea, explica que esse movimento é característico deste período do ano e está diretamente relacionado ao calendário de consumo. “Entramos no período da quaresma, quando há um aumento gradual da demanda por ovos.
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Isso, aliado à retomada do consumo após as férias e ao retorno das aulas, sustenta os preços”, afirma.
Historicamente, a quaresma, que antecede a Páscoa, provoca um aumento no consumo de ovos, já que parte da população tende a reduzir a ingestão de outras proteínas, como a carne vermelha. Embora não haja uma medição exata desse aumento, os produtores relatam um crescimento nas vendas, especialmente no varejo.
Ao mesmo tempo, a oferta de ovos está mais controlada neste período. Após um início de ano marcado por preços elevados — com a caixa de 30 dúzias chegando a cerca de R$ 89 em janeiro —, os produtores ajustaram o ritmo de produção para equilibrar o mercado.
“O setor é muito sensível à relação entre oferta e demanda. Quando há excesso de produção, os preços caem. Assim, as granjas costumam se planejar para evitar desequilíbrios, especialmente em períodos de maior consumo”, destaca a pesquisadora.
Diferentemente de 2025, quando ondas de calor impactaram a produtividade das aves, em 2026 não houve, até o momento, efeitos climáticos significativos sobre a produção.
Apesar da recuperação dos preços, os custos de produção continuam sendo uma preocupação para o setor. A alimentação das aves, que é baseada principalmente em milho e farelo de soja, representa a maior parte das despesas, além dos gastos com embalagem e logística.
Segundo o Cepea, tensões no Oriente Médio podem pressionar os custos de frete e, eventualmente, levar a aumentos nos preços para o consumidor final. No entanto, até agora, esse movimento ainda não se concretizou de forma significativa.
Para os próximos meses, a trajetória dos preços dependerá do equilíbrio entre produção e consumo. A expectativa do Cepea é que, após o término da quaresma, o mercado passe por ajustes. “Se a produção crescer além da capacidade de absorção do mercado interno, pode haver pressão de baixa nos preços ao longo do segundo semestre”, avalia a pesquisadora.
Por outro lado, a demanda interna seguirá sendo um fator determinante para sustentar as cotações ao longo do ano. Em 2025, a produção brasileira de ovos alcançou o volume recorde de 4,95 bilhões de dúzias, um aumento de 5,7% em relação à produção de 2024.
O consumo interno atingiu 288 ovos por habitante no ano.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.