A análise de Feliciano de Sá Guimarães revela como Brasil, Austrália e Canadá lidam com o conceito de potência média e suas estratégias de política externa. Descubra as nuances!
A discussão sobre o conceito de potência média e suas estratégias de política externa teve início na Austrália e no Canadá na década de 1990. Segundo Feliciano de Sá Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, esses países, apesar de sua considerável dimensão geográfica e poder econômico, buscavam definir seu papel na ordem internacional.
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Embora fossem aliados dos Estados Unidos, sua influência era limitada.
O conceito de potência média chegou ao Brasil no final dos anos 90, sendo adotado tanto em círculos diplomáticos quanto acadêmicos. A oficialização ocorreu durante a política externa do governo Fernando Henrique Cardoso. A estratégia principal associada a potências médias é a “diplomacia de nicho”, que se concentra em setores onde o país possui vantagens comparativas.
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De acordo com Guimarães, “nós temos algum poder na ordem internacional, mas não muitos, então faremos uma diplomacia de nicho, atacando mais agressivamente em setores onde a correlação de forças nos favorece”. Em áreas sem vantagem, a estratégia é recuar e atuar através do sistema multilateral.
Durante o governo Lula, a abordagem brasileira passou por uma mudança significativa. O conceito de potência média foi considerado limitante, levando o Brasil a se posicionar como uma “potência emergente”. Essa nova classificação implica uma atuação mais ampla e ambiciosa no cenário internacional.
Guimarães explica que ser uma potência emergente significa agir em várias frentes ao mesmo tempo, mesmo reconhecendo ter menos poder que as grandes potências. Isso pode ocorrer tanto para reformar a ordem internacional quanto para aumentar o prestígio do país.
O professor aponta dois problemas estruturais enfrentados por ambos os conceitos. As potências médias são frequentemente criticadas por “jogarem abaixo da sua liga”, limitando-se desnecessariamente. Por outro lado, as potências emergentes podem ser acusadas de dar “um passo maior que a perna”, um fenômeno conhecido como “over stretch” nas relações internacionais.
Guimarães alerta que agir em excesso pode levar a erros. “Não é que você esteja sendo conservador, mas sim que está agindo demais. E ao agir demais, você erra”, conclui o especialista, referindo-se aos riscos da estratégia de potência emergente que caracterizou a política externa brasileira em certos períodos.
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Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.