Porto Alegre chocada: Feira ignora gigante fábrica de chips! Críticas à inovação superficial e desconexão com a realidade local. Detalhes polêmicos e frustração dos estudantes
A feira que recentemente ocorreu em Porto Alegre gerou grande constrangimento e críticas. A impressão predominante é que os organizadores focam-se em ações superficiais, como a tradução de materiais para o inglês, na esperança de associar a cidade a um cenário internacional de alta tecnologia.
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Essa abordagem ignora a realidade da cidade, que abriga uma das maiores fábricas de chips da América Latina.
Essa unidade industrial de alta tecnologia, uma empresa estatal federal que enfrentou anos de inatividade devido à falta de investimento e gestão, demonstra uma desconexão com os desafios reais. Enquanto alguns promovem ideias de “novos negócios” e “ecossistemas de inovação”, a situação da empresa e a falta de atenção a seus problemas permaneciam ignoradas.
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A retomada da Ceitec, sob o governo Lula, é um exemplo claro de como a prioridade deveria ter sido.
Para entender a importância do papel do Estado no desenvolvimento tecnológico, é fundamental considerar o trabalho da economista italiana Mariana Mazzucato, autora de “O Estado Empreendedor”. Mazzucato argumenta que o Estado desempenhou um papel crucial nas revoluções tecnológicas mais recentes, desde os Estados Unidos até a China, impulsionando investimentos e pesquisas que levaram a avanços como a internet, GPS e microprocessadores.
A Apple, por exemplo, é um produto direto desses investimentos públicos.
É alarmante perceber que os organizadores da feira parecem desconhecer essa realidade. Discutir inovação e empreendedorismo sem reconhecer a contribuição do Estado é um erro grave. Essa feira não contribui para inserir Porto Alegre no circuito internacional desejado e frustra os estudantes que a esperavam como um portal para uma nova era.
A reforma do cais do porto, por exemplo, é um ponto de revolta, especialmente quando uma empresa espanhola, lucrando com o evento, utiliza recursos públicos do Rio Grande do Sul e da prefeitura de Porto Alegre.
O custo do ingresso, que ultrapassa mil reais, e a situação do local do evento – um cais deteriorado e habitado por morcegos – evidenciam a falta de compromisso com a cidade e seus recursos. A ausência de exigências por parte de figuras como o prefeito Leite e Sebastião, em relação à contrapartida do evento, agrava a situação.
A prioridade deveria ser a revitalização dos galpões do cais do porto, um investimento que beneficiaria a comunidade local.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.