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Pombos e falcões: Como a política monetária do BC pode mudar até 2027?

Pombos e falcões dominam o debate sobre a política monetária! Descubra como as projeções de inflação do Banco Central influenciam o cenário econômico.

Por: Gabriel Furtado

19/03/2026 3:47

4 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Pombos e falcões: O impacto na política monetária

Pombos e falcões são duas espécies de aves que simbolizam o cenário dos juros e influenciam a política monetária. Quando as autoridades adotam uma abordagem mais branda, com taxas menos restritivas, o comportamento é classificado como dovish. Por outro lado, quando as decisões são mais rigorosas, buscando uma política de juros contracionista, o termo utilizado é hawkish.

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A percepção do mercado está dividida, com alguns analistas enxergando sinais dovish na comunicação do Banco Central (BC).

Entre as questões levantadas pelos especialistas, as projeções de inflação do BC se destacam. De acordo com análises de diversas instituições e especialistas consultados, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve acumular 3,5% em 12 meses, considerando o horizonte relevante para a política monetária, que atualmente é o terceiro trimestre de 2027.

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Embora as projeções tenham aumentado, ainda estão abaixo das expectativas do mercado.

Projeções de inflação e análise do mercado

A consultora econômica Tatiana Pinheiro, da FGV EESP, observa que o leve aumento na projeção de inflação reforça a percepção de uma comunicação relativamente dovish. Os analistas apontam que o impacto do choque energético e da tensão geopolítica não foi totalmente considerado nas projeções do BC.

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O ex-chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto do BC, Sérgio Goldenstein, destaca que o desvio em relação à meta, sendo menor do que o esperado, pode ser visto como um elemento dovish, aumentando a possibilidade de um ajuste de 50 bps na reunião de abril.

O Sistema Expectativas de Mercado, apurado pelo Banco Central, indica que a mediana do mercado projeta a inflação em 3,8% para o final de 2027. Além disso, o BC apresenta um balanço de riscos simétrico, reconhecendo riscos aumentados tanto para uma inflação mais baixa quanto para uma mais alta.

As análises também ressaltam que a descrição da atividade econômica e da inflação enfatiza uma desaceleração no final de 2025, ignorando indicadores recentes que foram mais robustos do que o esperado.

Desafios e expectativas futuras

Tatiana Pinheiro acredita que a projeção do BC considerou um cenário de conflito de curta duração, com o preço do petróleo estabilizando abaixo de US$ 100 por barril neste ano e retornando aos níveis pré-conflito no próximo. A economista ressalta a importância de observar as premissas utilizadas pelo BC em seu modelo de inflação.

A próxima decisão dependerá da trajetória dos preços do petróleo, que permanece incerta, o que pode levar tanto à continuidade dos cortes quanto a uma pausa.

O Copom também destacou riscos que podem levar a uma inflação mais baixa, como a redução nos preços das commodities, mesmo em meio ao conflito. Goldenstein comenta que a substituição de uma redução nos preços das commodities por uma taxa de câmbio mais apreciada poderia ser um risco baixista.

Caio Megale, economista-chefe da XP, questiona a abordagem do Copom em relação ao recente choque energético, afirmando que a confiança na convergência da inflação para a meta parece excessiva.

Reações do mercado e próximos passos

Luciano Sobral, sócio e economista-chefe da Neo Investimentos, considera que o Copom foi menos cauteloso do que poderia. No entanto, alguns no mercado enxergam o comunicado do BC de forma positiva. A expectativa é que o início do ciclo de cortes traga um fechamento leve na curva de juros, especialmente nos trechos mais curtos, enquanto a bolsa pode manter um viés construtivo, beneficiando setores sensíveis a juros.

Os analistas concordam que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução das projeções e das expectativas, além de uma maior clareza sobre os impactos dos choques recentes na inflação. Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, avalia que, com o conflito ainda intenso e os preços do petróleo pressionados, a probabilidade é de que o Banco Central mantenha um ritmo de corte de 25 bps.

Contudo, se houver uma melhora no cenário, com a queda dos preços do petróleo, um corte de 50 bps pode ser considerado.

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Autor(a):

Gabriel Furtado

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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