Polícia italiana apreende bens de máfia avaliados em € 200 milhões em grande operação

Apreensão de bens ligados à máfia na Itália
A polícia financeira da Itália anunciou, nesta quinta-feira (28), a apreensão de bens e empresas avaliados em mais de € 200 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) em uma investigação sobre lavagem de dinheiro relacionada ao tráfico de drogas. Essa operação está conectada ao falecido chefe da máfia, Matteo Messina Denaro, que ficou 30 anos foragido por seu envolvimento na guerra da Cosa Nostra siciliana contra o Estado nas décadas de 1980 e 1990, incluindo o assassinato do procurador-geral Giovanni Falcone.
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Conhecido como “U Siccu” (o magrelo), Messina Denaro faleceu de câncer poucos meses após sua prisão, deixando aos promotores a responsabilidade de rastrear os lucros de seu império criminoso e aqueles que o ajudaram a evitar a justiça.
A polícia informou que a operação encerrou uma complexa investigação que mapeou um extenso conjunto de ativos gerados pelo reinvestimento de lucros do tráfico de drogas acumulados desde a década de 1980 em diversos países, tanto europeus quanto não europeus.
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O procurador-chefe de Palermo, Maurizio de Lucia, declarou: “Acreditamos ter identificado uma parte significativa dos investimentos feitos pela máfia, inclusive no exterior”. Natural da cidade de Castelvetrano, na Sicília, Messina Denaro liderava o clã local da Cosa Nostra e tinha fortes ligações com o poderoso chefe Salvatore “Toto” Riina.
Ele esteve envolvido em atentados a bomba em Florença, Roma e Milão, que resultaram na morte de dez pessoas em 1993, e é suspeito de ter cometido diversos assassinatos na década de 1990.
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Detalhes da operação
Na investigação, ao menos três pessoas foram presas, e a operação abrangeu locais como Suíça, Luxemburgo e Ilhas Cayman, com foco principal em Andorra, um pequeno principado nos Pirineus. A polícia rastreou fundos até uma mulher de Campobello di Mazara, cidade siciliana onde Messina Denaro tinha seu último esconderijo, que era casada com um homem com histórico de crimes relacionados a drogas.
O comunicado da polícia afirmou: “Com base nessas descobertas, os investigadores passaram a suspeitar que os fundos em Andorra estavam ligados ao tráfico de drogas”.
Os procuradores identificaram oito empresas associadas à rede de lavagem de dinheiro: cinco na Espanha, duas em Gibraltar e uma nas Ilhas Cayman. O grupo possuía uma participação “muito significativa” em um banco libanês, além de ouro e imóveis de luxo.
Giovanni Melillo, procurador nacional, destacou a importância de atingir o patrimônio da organização criminosa, afirmando que isso é essencial para desmantelar estruturas que possam projetar, em escala global, o poder intimidatório e a influência econômica da Cosa Nostra.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



