Polícia Federal inicia nona fase da Operação Compliance Zero contra senador Jaques Wagner
A nova fase da Operação Compliance Zero investiga o senador Jaques Wagner por supostas vantagens econômicas indevidas ligadas ao extinto Banco Master
A Polícia Federal (PF) iniciou na quinta-feira, 19 de janeiro de 2026, a nona fase da Operação Compliance Zero, que tem como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo no Senado. A investigação busca apurar possíveis ligações entre o círculo familiar de Wagner e suas empresas com indivíduos associados ao extinto Banco Master.
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Segundo informações da PF, foram encontrados indícios que apontam para o “recebimento de vantagens econômicas indevidas” por parte do parlamentar, tanto diretamente quanto através de familiares e pessoas próximas.
Descobertas em Brasília e Salvador
Na nova etapa da investigação, a PF localizou valores significativos em endereços vinculados ao senador nas cidades de Brasília e Salvador. Os agentes encontraram uma quantia em um quarto de hotel na capital federal, onde Wagner costuma se hospedar durante suas visitas.
Entre os elementos investigados está uma transação avaliada em R$ 2,4 milhões relacionada a um imóvel localizado em Salvador. A PF interceptou conversas nas quais o senador forneceu detalhes sobre a unidade do imóvel e seu preço a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.
O apartamento em questão teria sido adquirido pela Epítome S.A., empresa sob a direção de Luiz Antônio Lombardi, que é considerado um laranja na negociação. Além deste imóvel, outros benefícios foram destacados pela PF em sua representação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
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Entre eles estão o uso gratuito de jatinhos particulares ligados a Augusto Lima ou ao Banco Master, ingressos para shows internacionais nos Estados Unidos e pagamentos dirigidos a uma empresa associada à família do senador.
Relação com Augusto Lima e o Banco Master
De acordo com informações obtidas pela CNN, a amizade entre Jaques Wagner e Augusto Lima se intensificou entre 2017 e 2018, quando começaram a estabelecer vínculos comerciais. Naquele período, Wagner ocupava o cargo de Secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia no governo Rui Costa e foi responsável pela privatização da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), que controlava uma rede de supermercados chamada “Cesta do Povo”.
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Lima venceu a licitação relacionada à Ebal e criou uma operação de crédito consignado que se tornaria fundamental para o Banco Master.
A PF também investiga possíveis conexões entre as ações do senador e os interesses do Banco Master no Senado. A corporação menciona que Wagner atuou em propostas que visavam expandir o crédito consignado, sugerindo uma relação direta com os negócios de Augusto Lima.
Mensagens trocadas entre executivos do banco e assessores do senador indicam contatos frequentes em períodos próximos à apresentação das propostas.
Resposta do Senador e contexto da Operação
Após a deflagração desta fase da Operação Compliance Zero, Jaques Wagner se manifestou publicamente negando qualquer envolvimento com o Banco Master ou recebimento de recursos indevidos. Sua assessoria afirmou que ele não é réu ou acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados.
O senador reafirmou que o apartamento mencionado nunca fez parte de seu patrimônio pessoal e expressou confiança nas investigações.
A Operação Compliance Zero tem como objetivo combater fraudes relacionadas à emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras no Brasil. Desde sua primeira fase, realizada em 2024, a operação resultou na prisão de várias pessoas e na apreensão de bens avaliados em aproximadamente R$ 230,13 milhões.
A investigação continua levantando questões sobre como as relações políticas podem ter influenciado decisões financeiras no âmbito do sistema financeiro nacional. Enquanto isso, Jaques Wagner enfrenta crescente pressão para deixar sua posição como líder do governo no Senado devido ao temor de associações negativas com o caso Banco Master.