
O sistema Pix tem ganhado destaque no debate internacional, especialmente após um relatório emitido pelo USTR, órgão federal de comércio dos Estados Unidos. Segundo Donald Trump, o ex-presidente americano, o Pix representa um risco significativo para a supremacia do dólar americano.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Essa análise foi apresentada pela cientista política Isabela Rocha em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Ela aponta que, em um momento de enfraquecimento percebido, uma ameaça ao domínio monetário estadunidense seria um golpe considerável ao imperialismo.
Rocha explica que o Pix está sendo adotado em diversos países, incluindo Portugal e outras na América Latina, chegando até mesmo a casas de câmbio. Ela ressalta que o dólar é o principal poder político dos EUA.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Segundo ela, qualquer transação realizada no sistema dólar passa por um mecanismo que “drena” o valor. Com o Pix, grandes corporações americanas estariam perdendo dinheiro, segundo a especialista.
Na prática, países que não operam dentro do sistema SWIFT, baseado em dólar, correm o risco de um isolamento econômico. A cientista cita a Rússia como um exemplo claro desse cenário.
Rocha detalha que, após as sanções dos EUA, tornou-se quase impossível movimentar fundos para ou da Rússia. Ela afirma que o dólar transcende a função de mera moeda, configurando um verdadeiro instrumento de coerção política.
Diante desse quadro, o debate mais urgente entre as nações do BRICS foca na criação de um sistema de pagamento independente do dólar. Isabela Rocha acredita que estamos muito próximos dessa realidade, algo que ganhou força na 16ª Cúpula do BRICS, realizada em Kazan, Rússia, em 2024.
Ela explica que parcerias, como a que envolve a China, não precisam mais ser liquidadas em dólar, podendo ocorrer em yuan ou até mesmo em reais. O objetivo do BRICS é estabelecer um banco capaz de liquidar transações não só entre países, mas também entre cidadãos, o que contraria a agenda econômica dos EUA.
A cientista política também contextualiza essa situação dentro do conceito de “guerra híbrida”. Este termo descreve conflitos que se expandem além das ações militares diretas, como tiros ou bombas.
Para Rocha, a guerra híbrida ocorre no campo econômico e de inteligência, envolvendo diplomatas em negociações complexas. Ela observa que os EUA têm atuado dessa forma recentemente, embora nem sempre com sucesso.
A especialista compara a intervenção estadunidense na Venezuela, que visou capturar o líder Maduro vivo para uma operação cognitiva. Em relação ao Irã, ela aponta um modelo de guerra híbrida fracassado.
Segundo Isabela Rocha, apesar da superioridade militar americana, o Irã demonstrou vantagens significativas. Ela argumenta que, ao matar o líder iraniano, os EUA subestimaram o sentimento popular, pois a morte do Khamenei, na forma como ocorreu, unificou e elevou o moral do povo iraniano.
O cenário aponta para uma reconfiguração das relações financeiras globais, onde a busca por autonomia monetária se torna um pilar de poder geopolítico. O Pix e os mecanismos alternativos representam desafios diretos à ordem estabelecida pelo dólar.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.