PGR sugere Mendonça relatar investigações sobre filme Dark Horse

PGR sugere Mendonça relatar investigações sobre filme Dark Horse, buscando desvendar conexões políticas e financeiras envolvendo a família Bolsonaro

22/06/2026 20:08

3 min

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça

A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu um parecer na segunda-feira (22) sugerindo que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja o responsável por relatar as investigações que apuram pagamentos efetuados pelo banqueiro Daniel Vorcaro em relação ao filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O procurador-geral, Paulo Gonet, indicou que o processo deveria ser conduzido sob a relatoria de Mendonça. A sugestão surge após um pedido formal feito pelo deputado federal Lindberg Farias (PT-RJ) ao ministro Alexandre de Moraes, que visa investigar o financiamento do longa-metragem e suas possíveis ligações com as ações de figuras políticas.

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Atualmente, o ministro Moraes já atua como relator do caso que envolve o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado na semana passada por fomentar sanções dos Estados Unidos contra o Brasil. O parecer da PGR, portanto, direciona a apuração de fatos que envolvem documentos revelados pelo site Intercept, os quais tratam de materiais relacionados à família Bolsonaro e às gravações do filme.

A decisão final sobre quem assumirá a relatoria do caso cabe agora ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

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Investigação sobre Financiamento e Conexões Políticas

O deputado Lindberg Farias fundamentou seu pedido de investigação ao ministro Moraes, apontando uma possível conexão direta entre o capital que financiou o filme e as condutas políticas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Este detalhamento sugere que a apuração não se restringe apenas ao fluxo financeiro, mas busca entender o contexto político por trás do apoio ao projeto cinematográfico.

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A complexidade do caso exige a análise de múltiplos elementos: o envolvimento do banqueiro, a origem dos recursos e o impacto político do conteúdo. A PGR, ao sugerir a relatoria de André Mendonça, busca dar prosseguimento técnico e imparcial ao inquérito, garantindo que todos os aspectos levantados pelo parlamentar sejam devidamente examinados pelo Judiciário.

A tramitação do processo, que envolve o histórico de pagamentos e a documentação da família Bolsonaro, reforça o crescente escrutínio sobre as fontes de financiamento de projetos midiáticos com forte apelo político. As autoridades judiciais monitoram de perto a relação entre o poder econômico e a cobertura de figuras públicas.

Resistência do Setor Cinematográfico em Relação ao Filme

Em paralelo às investigações judiciais, o setor de exibição de filmes no Brasil tem demonstrado resistência em incluir Dark Horse em suas programações. As salas de cinema brasileiras estão cautelosas em relação à exibição do longa, que tinha previsão de estreia para setembro, pouco antes do pleito presidencial.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a hesitação do mercado é motivada por receios econômicos e sociais. Um dos principais pontos de preocupação é o possível baixo desempenho de bilheteria, dado o clima político polarizado do país.

Além da questão financeira, há o receio de que a exibição do filme possa desencadear confrontos físicos nas portas dos cinemas. Essa tensão decorre da divisão política acentuada, com o risco de manifestações entre grupos bolsonaristas e aqueles que se opõem ao movimento.

O cenário de incerteza política impacta diretamente a logística e a segurança das exibições.

O parecer da PGR e a resistência das salas de cinema apontam para um cenário de intensa turbulência em torno da figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. O debate se desenrola em múltiplas frentes, envolvendo o direito, o mercado cultural e a opinião pública.

O desdobramento das investigações e a decisão do STF sobre a relatoria do caso continuarão sendo pontos centrais de atenção para o cenário político e midiático brasileiro.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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