PGR cobra esclarecimentos sobre remuneração de magistrados e MP após decisão do STF

A PGR busca esclarecimentos sobre a remuneração de magistrados e do Ministério Público, levantando questões que podem impactar a aplicação de decisões do STF.

PGR Solicita Esclarecimentos sobre Remuneração de Magistrados e Ministério Público

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou, nesta sexta-feira (15), um pedido de esclarecimentos sobre os pagamentos destinados à magistratura e ao Ministério Público. Através de embargos de declaração, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o vice-procurador-geral, Hindenburgo Chateaubriand, afirmam que a “adequada superação” dos pontos levantados no acórdão pode resultar no “ajustamento parcial dos enunciados aprovados”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No julgamento realizado em março de 2025, foram limitadas as verbas indenizatórias e estabelecidos critérios nacionais para a remuneração de magistrados e membros do Ministério Público. No recurso, a PGR destaca que, apesar do detalhamento da tese aprovada pelo Supremo e da subsequente edição de resolução conjunta do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), ainda existem questões que podem gerar divergências na aplicação prática da decisão pelos tribunais e Ministérios Públicos estaduais.

Pontos Questionados pela PGR

Entre os aspectos questionados pela PGR está a exclusão do auxílio-alimentação do regime transitório definido pelo STF. O órgão argumenta que essa verba possui previsão em lei federal e caráter indenizatório, o que poderia justificar sua manutenção durante o período de transição.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além disso, a Procuradoria solicita esclarecimentos sobre a conversão em dinheiro de férias, plantões e licenças-prêmio já adquiridos, mas que não puderam ser usufruídos devido a aposentadoria, falecimento ou necessidade do serviço.

De acordo com a manifestação, a proibição da indenização nesses casos poderia resultar em enriquecimento sem causa do Estado. A decisão do STF estabeleceu que apenas as verbas indenizatórias previstas em lei federal podem ficar fora do teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46.366,19, valor correspondente ao subsídio dos ministros do STF.

Leia também

O Supremo também determinou a suspensão imediata de diversos benefícios considerados inconstitucionais, como auxílio-combustível, auxílio-moradia, auxílio-creche e licenças compensatórias.

Após o julgamento, os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin exigiram maior transparência nos portais de remuneração dos órgãos públicos. No recurso enviado ao Supremo, a PGR também solicita que a fiscalização dessas normas seja coordenada em conjunto pelo CNJ e pelo CNMP, garantindo a autonomia institucional.