A Procuradoria Geral da República (PGR), por meio da Procuradoria Geral Eleitoral, apresentou um recurso contra a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia anulado a condenação de Anthony Garotinho, ex-governador e ex-prefeito de Campos dos Goytacazes.
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O recurso foi formalizado na terça-feira, 31 de março de 2026, em resposta à decisão que havia sido proferida na sexta-feira, 27 de março. A PGR argumenta que o ministro Zanin desconsiderou a posição da 2ª Turma do STF, que havia rejeitado, por unanimidade, um pedido idêntico apresentado pela defesa de Garotinho em 2022.
“A Segunda Turma rejeitou de forma colegiada e unânime o que a decisão agravada acolheu de forma monocrática”, declarou a Procuradoria. O vice-procurador eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, solicitou que Zanin reconsidere a decisão ou que a 1ª Turma do Supremo, da qual o ministro faz parte, derrube o habeas corpus concedido a Garotinho.
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A decisão de Zanin, proferida no final de março, considerou ilegais as provas utilizadas na condenação de Garotinho pela Justiça Eleitoral. O ministro argumentou que os elementos probatórios foram obtidos de forma irregular, através da coleta de dados de computadores da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos dos Goytacazes, por meio de pen drive, sem os procedimentos legais adequados.
A PGR, por outro lado, sustenta que existem outras provas que sustentam a condenação, como depoimentos, testemunhos e interceptações telefônicas, que são provas autônomas. O procurador-geral eleitoral solicitou que Zanin revogasse as extensões da anulação da decisão a outros réus, alegando que a decisão foi tomada sem instrução, sem a oitiva do TSE e sem manifestação do Ministério Público.
A operação Chequinho investigou o uso ilegal do programa social Cheque Cidadão, destinado a famílias de baixa renda, da Prefeitura de Campos dos Goytacazes (RJ). Anthony Garotinho, na época secretário de governo do município administrado por sua esposa, Rosinha Garotinho, foi preso em 2016 e 2017. A investigação revelou que o benefício era utilizado para comprar votos para candidatos do grupo político de Garotinho.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro condenou Garotinho a 13 anos de prisão pela acusação de compra de votos nas eleições municipais de 2016 em Campos dos Goytacazes. Zanin foi designado novo relator do caso no Supremo com a aposentadoria de Lewandowski. Em 2024, o ministro já havia concedido uma decisão favorável a Garotinho.
A condenação tornava o político fluminense inelegível. Zanin entendeu que era necessário suspender os efeitos da condenação apenas em relação à inelegibilidade. O ministro considerou que Garotinho ficaria indevidamente impedido de disputar as eleições caso se chegasse à conclusão de que a condenação decorreu de prova ilícita.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.
